Sábado, 18 de Setembro de 2021

“Estou na política para dar voz a quem não tem voz”

Assumiu no início do ano passado a liderança da câmara municipal, depois de Humberto Cerqueira ter saído. Não estava a contar com a pandemia, mas acredita que o executivo que lidera tudo tem feito para minimizar os impactos. Está na política com a missão de ajudar os mais frágeis

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Nasceu há 67 anos em Mascoselo, freguesia de Vila Cova (Vila Real), e entrou na política para ajudar as pessoas, mas nunca pensou chegar a presidente de câmara. A saída de Humberto Cerqueira, em fevereiro do ano passado, abriu-lhe as portas para um dos maiores desafios da sua vida: liderar uma autarquia, num ano particularmente difícil com a pandemia de Covid-19.

“Nunca pensei que o meu colega saísse antes de terminar o mandato. Não estava mesmo a contar e ponderei muito em aceitar o desafio. Tudo se tornou mais difícil quando fomos assolados pela Covid-19. Por isso, nunca pensei que fosse um ano tão desafiante e um fim de mandato com tantos problemas que ninguém esperava ou sabia lidar”, conta à VTM, adiantando que não se sentia preparada, mas tinha a vantagem de estar na autarquia há 11 anos. “Nunca estamos preparados e todos os dias aprendemos. Tive algum receio, por não estar mentalizada, mas hoje sinto que estou melhor do que estava há um ano”.

PASSADO

Mulher determinada, Teresa Rabiço saiu da sua terra natal (1973) para dar aulas na escola primária de Vila Chã, no concelho de Mondim de Basto, localidade pela qual se apaixonou e encontrou o homem da sua vida. “Comecei a namorar em 1974 com o meu marido, que é daqui, e por aqui fiquei.

Eu gostaria de ter saído para Vila Real, porque achava que estávamos muito longe das universidades, dos médicos especialistas, mas nunca se proporcionou e também nunca consegui convencer o meu marido. Depois apaixonei-me por este cantinho”, diz com um sorriso no rosto.

Ainda tem bem presente na memória os primeiros tempos, em que vinha a pé para dar aulas na escola primária de Vila Chã, freguesia de Vilar de Ferreiros. “Vinha de autocarro à segunda-feira e ia à sexta-feira para casa.

Tinha que sair em Ermelo, passar a ponte, ir às Fisgas até chegar à aldeia. Fazia o trajeto a pé. Não havia luz, nem água canalizada, não havia estrada”, confessa, destacando a capacidade de nos adaptarmos aos contextos onde vivemos. “Primeiro chorei muito, depois habituei-me. A meio do ano, já tinha saudades das pessoas a sair cedo, a cantar com as aldeias cheias de crianças e de gente, que eu gostava muito”.

FAMÍLIA

A família tem sido o seu pilar. O marido e os três filhos sempre a apoiaram nas decisões mais difíceis que teve de tomar. “Desde que vim para a câmara, o meu pensamento estava sempre na autarquia, mas sem descuidar a família.Ia com problemas, procurava, vinha com soluções e partilhava tudo. Tenho muita sorte em ter uma família que me apoia incondicionalmente naquilo que eu acho mais correto fazer. São o meu grande apoio, e se não fossem eles, eu não teria vindo para a câmara logo a seguir ao segundo mandato, porque já estava há muito tempo na política”.

PORQUÊ A POLÍTICA?

Muito acarinhada pela população, Teresa Rabiço refere que a política tem algo de interessante que sempre a cativou. “Quando temos um objetivo para concretizar, em que tentamos ajudar quem não tem voz, temos uma vontade imensa de correr para o conseguir. Estou aqui para dar voz a quem não tem voz e não vale a pena pensar noutra coisa. Os políticos têm um dever cívico de servir e estarem sempre prontos para ajudar os outros. Um verdadeiro político sabe ouvir, está atento às necessidades das populações e tenta arranjar soluções”.

Devido à pandemia, o contacto com os outros ficou muito limitado, mas a presidente não deixa de responder a todas as solicitações que lhe chegam diariamente. “Eu gosto de receber, beijar e abraçar toda a gente, mas agora não posso e sei que as pessoas estão à minha espera. Por isso, tenho uma funcionária na autarquia que liga todas as semanas às pessoas isoladas a perguntar se precisam de alguma coisa. Mesmo à distância, pensamos nelas e isso é bom para todos”.

A mudança de vice-presidente para presidente trouxe-lhe maiores responsabilidades, mas a autarca lembra que em si nada mudou. “Não mudou nada, porque o caráter e a personalidade não se adquirem com um pelouro”.

AUTARCA DO INTERIOR

“Ser autarca é difícil, mas no interior ainda é mais”. É assim que a presidente carateriza o cargo que ocupa, uma vez que continua a pensar que Porto e Lisboa “é uma coisa e o interior é outra”. “Tenho muita pena que Lisboa não conheça melhor o interior”, lamenta, adiantado que, quando se tomam decisões ou aprovam leis, parece que não conhecem a realidade do país e não pode ser, pois cada território tem problemas muito concretos e só quem está cá saberá como os resolver”.

Apesar das dificuldades, Teresa Rabiço salienta que o poder autárquico mudou muito, havendo agora uma maior proximidade entre os autarcas e os cidadãos. “Eu e o anterior presidente criamos uma enorme empatia com os munícipes, o que torna a câmara mais acessível às pessoas e nós sentimos isso. Mas o mais difícil é resolver todos os problemas, às vezes não está nas nossas mãos. E isso custa muito”.

FUTURO

É perentória ao afirmar que não irá ser candidata nas próximas autárquicas. “O futuro já não é meu, é dos jovens, mas se for preciso ajudar, estarei aqui, mas candidata não”.
Apaixonada pelo mar, vai aproveitar o tempo para cuidar de quem mais gosta. “Vou cuidar dos meus netos e do meu marido. Vamos namorar mais um bocadinho, pois se não for namorando todos os dias, a chama apaga”.

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