Arrancou hoje, dia 10 de abril, um novo “capítulo na história” da reciclagem em Portugal, com a entrada em funcionamento em todo o país do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR).
Sob o nome “Volta”, o SDR abrangerá cerca de 2,1 mil milhões de embalagens de bebidas de uso único consumidas anualmente em Portugal, em concreto, garrafas de plástico PET e latas de metal até três litros, que terão um depósito reembolsável de 10 cêntimos.
A Quercus, que se mostra satisfeita com a chegada do SDR a Portugal, revela que esta medida peca por tardia, uma vez que “somos o 19º país da União Europeia a implementá-lo”.
“Esta tem sido, aliás, uma reivindicação da nossa associação nos últimos anos, esperando-se que seja agora o empurrão definitivo para ajudar a cumprir as metas nacionais de reciclagem de embalagens (70% já este ano e 90% em 2029) e de incorporação de plástico reciclado em novas embalagens (30% em 2030 e 65% em 2040)”.
VIDRO
A Quercus lamenta ainda que não tenha sido ponderado o regresso da retoma de garrafas de vidro com tara recuperável (que já existiu em Portugal), que seria um importante incentivo à reutilização destas embalagens e redução de resíduos.
Por outro lado, em alguns países europeus, como a Alemanha, a Dinamarca, a Finlândia ou a Croácia, as embalagens de vidro estão abrangidas por sistemas de depósito e reembolso semelhantes ao “Volta”, o que será um passo óbvio para impulsionar a recolha seletiva deste fluxo. A mesma registou uma quebra de 1% em 2025 e tem estado estagnada nos últimos anos, comprometendo a meta de reciclar 75% até 2030 (estamos nos 56%).
ECOPONTOS
Para que o SDR seja bem-sucedido, a Quercus defende que “é fundamental reeducar os consumidores”, explicando a sua “complementaridade com os atuais sistemas de recolha seletiva, nomeadamente os ecopontos e os sistemas porta-a-porta”.
“Estes continuam a desempenhar um papel fundamental”, diz a associação, defendendo que deverão ser utilizados para “todas as embalagens de bebidas não abrangidas pelo SDR” (garrafas PET e latas de metal ainda sem o símbolo “Volta” e todos os outros formatos/materiais excluídos, como garrafões de água, ECAL, vidro ou bebidas com mais de 25% de origem láctea).
MAIOR DESAFIO
A Quercus considera positivo que o SDR abranja também, através dos pontos de recolha manual, o pequeno comércio e o Canal Horeca, onde são consumidas garrafas e latas de bebidas de uso único em quantidades consideráveis. Contudo, questiona se o mesmo conseguirá dar resposta de forma abrangente e descentralizada às cerca de 12 mil lojas tradicionais e 80 mil pontos Horeca existentes no país. “Consideramos também que o sistema deve antecipar e adaptar soluções que permitam a recolha e devolução de depósito destas embalagens em grandes eventos associados a um grande consumo de bebidas engarrafadas ou enlatadas, tais como festivais ou eventos desportivos”.
VOUCHERS DIGITAIS
O reembolso do depósito de 10 cêntimos de cada embalagem nos 2500 pontos de recolha automáticos presentes em supermercados e hipermercados será feito através da emissão de vouchers impressos.
A Quercus considera que este método em papel “deve ser complementado com um sistema de vouchers digitais através da acumulação de saldo numa aplicação móvel, desmaterializando e otimizando o processo e evitando o gasto de matérias-primas”.
Para a Quercus a implementação deste sistema “não deve fazer esmorecer o incentivo ao uso de soluções mais sustentáveis a montante, como a promoção de recipientes reutilizáveis para bebidas e o incentivo ao consumo de água da torneira sempre que possível. A prevenção continua a ser a estratégia mais eficaz na redução de resíduos”.




