A Peripécia Teatro anunciou que o evento ‘Lua cheia da terra’ terá como tema central o lobo-ibérico, cruzando arte, ciência e comunidade. O evento decorrerá entre 26 e 30 de maio na aldeia de Benagouro.
Durante cinco dias, o lobo-ibérico será o motivo para um encontro de ideias e artes. A companhia de teatro explicou que o lobo-ibérico é o tema central da primeira edição do projeto, que se insere na Semana da Biodiversidade, em colaboração com o município de Vila Real e a Junta de Freguesia de Adoufe e Vilarinho da Samardã.
O projeto teve como ponto de partida o espetáculo ‘Loba’, criado no ano passado pela Peripécia Teatro, que explorou a problemática do lobo-ibérico nas suas dimensões ambiental, política e social. Sérgio Agostinho, diretor artístico da Peripécia, afirmou que “reunimos tanta informação, através do contacto com cientistas, autores e documentários, que sentimos que era importante partilhá-la de forma mais direta com o público. Foi assim que surgiu a ideia de criar este evento”.
A iniciativa incluirá o regresso de ‘Loba’ ao palco, documentários e conversas com especialistas dedicados ao estudo desta espécie protegida. Haverá também um tatuador residente que convidará o público a “fixar o lobo no corpo”.
O programa prevê ainda passeios pelo território, onde os participantes serão desafiados a observar, escutar e reconhecer sinais, percebendo que o lobo nem sempre se vê, mas pode estar presente. Sérgio Agostinho acrescentou que “‘Lua cheia da terra’ é um encontro entre arte, ciência e comunidade. O projeto nasce da vontade de prolongar e aprofundar o diálogo entre criação artística e consciência ecológica, transformando-o num momento anual de celebração da vida natural”.
A Peripécia Teatro considera que o lobo-ibérico “é um símbolo poderoso da relação entre o humano e o selvagem, entre o equilíbrio ecológico e o imaginário ancestral”. O Censo Nacional do Lobo (2019–2021) revelou uma tendência negativa, com uma redução de 23% na área de presença e de 8% no número de alcateias, em comparação com o último censo realizado em 2002-2003. No Alvão, registou-se uma diminuição do número estimado de alcateias superior a 50%.




