Terça-feira, 7 de Dezembro de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Grandes males…

Desta vez não vamos referir-nos à pandemia que afeta todo o mundo e para qual parece não haver ainda um Grande Remédio. Nem para prevenir, nem para curar. Há outros grandes males a que é preciso acudir.  Vamos referir-nos, a um dos cancros da nossa economia pública, que não sai das manchetes dos jornais, desde […]

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Desta vez não vamos referir-nos à pandemia que afeta todo o mundo e para qual parece não haver ainda um Grande Remédio. Nem para prevenir, nem para curar. Há outros grandes males a que é preciso acudir. 

Vamos referir-nos, a um dos cancros da nossa economia pública, que não sai das manchetes dos jornais, desde há muitos anos a esta parte: A Transportadora Aérea Nacional – TAP, cujos problemas financeiros, se agudizaram com esta paralisação forçada dos últimos dois meses, devido ao fecho de fronteiras terrestres e aéreas. De facto, impressiona ver as imagens das muitas dezenas de aviões estacionados no Aeroporto da Portela, e perceber o que aquilo significa em termos de encargos financeiros diários. 

Porém, quem acompanha um pouco a economia nacional, sabe que uma companhia de navegação aérea, como a TAP, que não é privada nem é pública, mantendo este sistema híbrido, (50% das ações são detidas pela Parpública, sociedade que detém as participações do Estado, 45% pertencem ao consórcio Atlantic Gateway, detido, por Humberto Pedrosa, do grupo Barraqueiro, e pelo empresário da aviação David Neeleman, e as restantes, 5% são dos trabalhadores), não pode deixar de dar razão ao atual responsável ministerial do setor das infraestruturas, quando afirma que, se o Estado vier a ter de meter mais capital, terá de passar a mandar.

O que parece querer dizer, que até agora, quem tem mandado, tem tomado opções erradas, uma vez que esta empresa não foi por causa desta paralisação momentânea, que tem registado tão elevados deficits de exploração, a rondar os mil milhões de euros, só no último ano.

A questão que se coloca então é encontrar o remédio para salvar esta empresa, que é, de facto, uma das joias da coroa das empresas nacionais, sobretudo num país com tantos portugueses espalhados por todo o mundo e que veem na TAP o grande elo de ligação à pátria. É bem certo que com tantas empresas de navegação aérea tipo low cost poderia pensar-se em desmantelá-la. Não deverá, porém, ser esse o caminho. Acabem-se com alguns vícios que nela haja instalados, reduzam-se se necessário, algumas das mordomias do pessoal navegante, emagreça-se até a frota, se a operação aérea não justificar tão grande número de aparelhos, injete-se o capital mínimo indispensável, para não inflacionarmos ainda mais a nossa dívida pública e devolva-se uma empresa enxuta ao povo português. Porque, simplesmente, este tem orgulho nela.

Mas, encontrem gestores com provas dadas, para que o remédio, possa dar os efeitos desejados.

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