Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Haverá amanhã?

Nos últimos quinze dias, a cimeira do clima, em Glasgow, prendeu a atenção do mundo. Valeu a pena?

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Vejamos alguns apontamentos, sobre o que se desejou que fosse aprovado, e o que, apesar de tudo, acabou por ser assinado. 

A vontade pré-existente era que as partes fossem capazes de apresentar metas e planos para o corte de emissões de gases com efeito de estufa, através das suas contribuições voluntárias, que permitissem manter o aquecimento médio global bem abaixo dos 2 graus centígradas e se possível limitá-lo a 1,5 graus, comparando com os níveis pré-industriais.

O que é que se conseguiu? 

A comunidade científica tem insistido em que só seria possível reduzir as emissões se nos afastássemos dos combustíveis fósseis e pedia aos governos presentes que deixassem referências claras para o fim da exploração do petróleo e do gás, além do carvão. O texto final não foi tão longe. Acabou por fazer apenas uma recomendação, para que houvesse uma diminuição do uso do carvão. Anota-se que é a primeira vez que há uma referência direta aos combustíveis fósseis, numa decisão das COP – Conferências Internacionais sobre o Clima.

O Pacto Climático de Glasgow reconhece também a importância da ciência, da natureza, dos povos indígenas, e pede um aumento do financiamento para a ação climática. Mas, no final, ficaram muitas críticas aos poucos avanços, ao apoio no âmbito das perdas e danos de que é exemplo a perda de território em virtude do avanço das águas do mar, em territórios situados abaixo do nível das águas marinhas. 

A sensação com que se ficou está bem documentada no comunicado que António Guterres – Secretário-Geral das Nações Unidas divulgou, onde considera como insuficientes os aspetos positivos, avisando que ainda se está a bater à porta da catástrofe climática, enfatizando que assim, o nosso planeta está preso por um fio. 

O título desta nossa crónica, com a interrogação: Haverá amanhã? Pode ficar a ideia de que também nós acreditamos pouco nos avanços científicos em termos climáticos. Mas, não é esse o nosso pensamento.  Temos a convicção de que os avanços científicos têm sido significativos e que continuarão a sê-lo. Admitimos que a salvaguarda do planeta não se ficará a dever apenas pela ação humana. Acreditamos, que ele próprio, como a história conhecida documenta, tem capacidade de autorregeneração e de constante mutação. Não conseguimos naturalmente visualizar o que será o Planeta Terra daqui por milhares de milhões de anos. Mas, temos a certeza que ele continuará a girar em volta do sol, como agora sucede.

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