Sexta-feira, 20 de Maio de 2022
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Jornalistas de hoje, almocreves de ontem

A luta pela sobrevivência nasceu, medrou em todas as gerações e há- de acontecer com todos os seres vivos. Não só os homens.

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Os animais selvagens, os peixes, as aves de rapina, todos lutam por instinto, contra a fome, contra a ocupação do espaço, contra o medo de ser comido ou desapossado. O homem é o ser vivo que tem obrigação de moderar esses ímpetos, cultivando a sua postura, a partir da razão e da lei natural que é aquilo que o distingue dos outros seres.

Os seres vivos distinguem-se pelo clique da razão. Esse clique é um neologismo da era digital que ajuda o homem a decidir o bem do mal. Essa ferramenta digital começou a substituir e a facilitar os intentos de quem os utiliza, positiva ou negativamente.

Do mesmo modo, passou essa tecnologia eletrónica a encurtar distâncias, a favorecer contactos, a intuir mensagens. E, sobretudo, a definir as linhas verdes das linhas vermelhas, a separar a racionalidade da charlatanice, a distinguir a verdade da mentira.

Durante a idade média, até aos inícios do século XX, os negócios de cada estado, bem como os almocreves, eram pessoas que se deslocavam, ou conduziam animais de carga, com ou sem mercadorias, de uma terra para outra, em Portugal, no país, como no estrangeiro. Eram essenciais como agentes de comunicação intercomunitária, além de serem indispensáveis ao abastecimento de bens fundamentais às vilas e cidades. Tinham trilhos próprios e paragens certas, em sistemas convencionais. Eram eles que levavam e traziam, não só bens primários, mas também notícias, o correio e encomendas de importância oficial.

Em menos de um século quase tudo evoluiu. E até as guerras, internas ou externas, deixaram de ser provocadas, passando a ser geradas, discutidas e levadas a cabo, em palcos reais que as tecnologias nos mostram, como se fossem brinquedos, em telemóvel   de criança.

Na última semana, o mundo inteiro assistiu, ao início de uma guerra sanguinária que um só homem provocou, por ódio, contra outro homem que dele discorda. Um e outro representam povos que foram irmãos e que são vizinhos desavindos. Um foi eleito pelo povo, com menos armas, menos terreno e menos ganância. Mas com plena liberdade democrática e direito ético em defender o povo que representa. Aqueloutro, tresloucado ditador, na sua infinita ânsia de poder, ordenou ao povo, sob o peso de todo o armamento bélico, a rigorosa execução de meio milhão de mortos inocentes.

Como jornalista da velha guarda, que foi combatente ranger, em circunstâncias defensivas, igualmente injusta, louvo a geração de jornalistas jovens, de ambos os sexos, que, até à hora em que escrevo esta crónica, fizeram uma cobertura corajosa, isenta, oportuna e muito arriscada.

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