Quinta-feira, 7 de Julho de 2022
Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Mãos à obra

Finalmente, parece que o interior, ou melhor, o mundo rural entrou na agenda mediática e na agenda política, o que agrada naturalmente, a quem como nós por cá continua a viver. Temos porém de passar das palavras aos atos.

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Na nossa última crónica referimos o muito que a nossa região deve esperar do conhecimento científico e técnico, existente na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), para suportar os projetos de desenvolvimento que são necessários lançar de imediato, no domínio da agricultura e da floresta.

Atenhamo-nos apenas ao domínio florestal, uma vez que, recordando os fogos recentes que devoram vastas extensões desta, se percebe que é um setor que necessita de intervenção imediata.

Sempre considerámos que o desenvolvimento rural só terá êxito se se tratar de desenvolvimento integrado. Recordámos o que foi o Plano de Desenvolvimento Rural Integrado (PDRITM) lançado pelo Prof. Valente de Oliveira nos anos oitenta. Aqui recordámos também o incitamento que nos fez, há menos de duas dezenas de anos atrás, para que insistíssemos com os responsáveis da UTAD, para que se lançassem no «Cluster da Madeira» para Trás-os-Montes, a exemplo do que fizeram há meia dúzia de anos, com o «Cluster do Vinho», com êxito tão assinalável para o Alto Douro Vinhateiro.

Em, que consistiria este «Cluster»? Num projeto de desenvolvimento, que começaria com ordenamento florestal, desde o seu plantio, arranjo dos terrenos apropriados – estamos a lembrar por exemplo os Baldios e o emparcelamento das propriedades privadas. Aqui se incluiria naturalmente a indicação das espécies florestais mais apropriadas para a nossa região, (cuja produção em viveiro é já hoje uma atividade recorrente no Campo Universitário), ordenamento florestal, limpeza das matas, abertura de caminhos, medidas de prevenção de incêndios, de pragas e tudo o que gravita em volta do fomento, preservação e melhoramento das matas.

A sequência natural será o aproveitamento da madeira em variadíssimas dimensões, de que citamos a indústria, em particular a do mobiliário para as madeiras nobres, e os múltiplos usos da mesma que nos dispensamos de explicitar. Como é evidente, esse «Cluster» tem que ser da responsabilidade a montante, das autarquias locais – juntas e câmaras municipais – porque são estas entidades que estão próximas do território e têm a responsabilidade pelo seu desenvolvimento. Porém, estando hoje os Municípios agrupados em Comunidades Intermunicipais, que são quem gere os Fundos Comunitários, não parece utópico pensar que, se as CIMs desafiem a UTAD, porque não o Instituto Politécnico de Bragança, para se lançaram nesta boa aventura do desenvolvimento rural integrado. Se numa primeira fase se orientarem para o ordenamento florestal, vamos ter a oportunidade, de ver em menos de uma dezena de anos, o nosso território (Trás-os-Montes e Alto Douro) novamente florestado, agora com as espécies mais adequadas à aptidão dos nossos solos e condições climáticas.

Comecem, permitam-me a sugestão, com intervenção nos Baldios, que estão completamente ao abandono. Aproveitem-se ainda algumas das Casas dos Guardes Florestais, que ainda resistem às intempéries.

Mas dê-se este passo decisivo, transformando esta desgraça numa oportunidade, contribuindo também para fazer cessar o abandono do mundo rural.

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