Se o bacalhau é o rei, a couve é a rainha da consoada. E a produção continua a fazer-se no concelho, aproveitando as características próprias do território.
“Antes quem não tivesse uma troncha, era como não ter bacalhau. E a tradição ainda se mantém, pelo menos no Norte”, afirma Augusto Sampaio, produtor de couve penca de Chaves.
Também José Capela, outro produtor, acredita que, as pessoas não passam sem a couve. “Acho que nenhuma casa faz o Natal sem a couve penca. Mudam-se algumas tradições, mas em termos de couve as pessoas sempre a utilizaram e vão continuar a utilizar”, refere.
Mal começa a fazer frio, o produto é muito procurado, mas as vendas aumentam, substancialmente, perto do Natal, para a ceia. “Algumas pessoas, clientes certos que temos, pedem para lhes guardarmos e há muita gente que vai passar o Natal fora e leva para a ceia”, afirma.
“Quem não tivesse uma troncha, era como não ter bacalhau. A couve penca de Chaves é saborosa e diferente, por isso é que é famosa a nível nacional”
Augusto Sampaio
Vila Verde de Oura
Para este produtor de hortícolas, o sabor da couve penca de Chaves “é melhor do que o de outras” e, por isso, é muito conhecida e procurada. “Vendemos muito no mercado, para supermercados e para clientes que levam para o mercado abastecedor do Porto, para vender no Natal”, conta José Capela, que tem cerca de quatro mil metros de plantação dedicada a este tipo de couve, na aldeia de Santo Estevão.
A variedade tradicional do concelho de Chaves caracteriza-se por ter folhas grandes de cor verde e talos de cor branca, de excelente sabor. Também designadas por couves tronchudas ou tronchas, as folhas largas possuem bastantes nervuras, talos carnudos e são ricas em termos nutricionais, a nível de ferro, cálcio, magnésio, potássio, entre outros.
FRIO DÁ O SABOR
Mas o que faz a couve penca de Chaves ser tão renomada e procurada? A produção não tem um segredo em particular, garante José Capela, mas o clima próprio da região é essencial para uma boa couve. “O sabor da nossa é especial e é o próprio clima que o faz”, explica. Diz que “o terreno também” influencia as características da hortícola, “mas o clima é muito importante”. “A nossa couve também tem um bocadinho de fama devido ao clima mais frio”, frisa. “Ela precisa de alguma chuva, mas o frio é essencial, faz-lhe sempre bem”, reforça.
Por norma, o produtor faz duas plantações, a primeira em agosto e outra em setembro, para sair nesta altura.
“O sabor da nossa couve é especial e é o próprio clima que o faz. O terreno também ajuda, mas o frio é muito importante”
José Capela
Santo Estevão
Também Augusto Sampaio, que produz couve penca de Chaves em Vila Verde de Oura, diz que o frio ajuda a couve a fechar e acrescenta que um terreno fertilizado é muito importante para se dar bem. “Tem de ser uma terra bem estrumada, bem tratada para dar a planta. Também precisa de chuva e agora do frio, que é essencial para que ela feche”, sublinha.
Questionado sobre as particularidades da couve penca de Chaves diz que “é saborosa e diferente”, o que faz dela “famosa a nível nacional”. “É uma tradição que vem de há muitos anos”, garante. Augusto Sampaio tem “cerca de mil pés para vender” nesta época, sendo que na altura da plantação chega a ter 10 a 20 mil pés para plantar. O agricultor diz que o seu produto é procurado por clientes fixos em casa e também no mercado de Chaves.
Quanto à produção deste ano, José Capela afirma que “a primeira couve começou a vender-se bem”, mas como choveu bastante, “muita apodreceu”. Estando repolhada, ou seja, mais fechada, “mesmo que as folhas de fora queimem, aguenta”. Mas este ano, com a chuva e pouco frio no outono, “ela está mais aberta”, mas a qualidade, garante mantém-se e o frio de dezembro contribui para uma boa couve para a mesa de Natal.