Segunda-feira, 15 de Junho de 2026
José Pinto
José Pinto
Técnico Superior de Educação

Nem tudo o que o Papa Francisco diz é verdade!

Quem se limitou à simples leitura do título, poderá ficar a pensar que – por qualquer motivo - eu deixei de amar e de respeitar o Papa Francisco, ou de lhe tributar obediência filial no que às questões de “doutrina de fé e costumes” diz respeito. Nada mais errado!

Quem apenas se preocupa em ler os títulos, ficando assim satisfeito, e deixa de lado os textos (mais ou menos extensos ou densos), porque “dá muito trabalho” ou ocupa tempo, é como quem acha que apanhar a espuma das ondas é o mesmo que mergulhar nas águas, quentes ou frias, de um qualquer mar ou oceano, ou num rio calmo ou tumultuoso!

Vem isto a propósito de inúmeras afirmações atribuídas ao Papa Francisco, e que abundam nas redes sociais, de modo particular no Facebook (FB), e que parecem ir ao encontro do facilitismo com que muitos gostariam e gostam de ver e tratar estas coisas da religião e da fé católicas.

“O Papa disse: O inferno não existe!” – «Uau! Assim é que é!» gritam, logo, milhares e milhares de facebookianos, clicando “gosto” e partilhando num frenesim tal, que, rapidamente, a afirmação passa a ter estatuto de “verdade de fé”, para tantos e tantos incautos, que a aceitam acriticamente. Bem pode vir o Vaticano negar tal afirmação, que não consegue travar a divulgação da mentira, espalhada, em segundos, aos “quatro ventos” do mundo virtual.

Qualquer frase ou afirmação atribuída, ainda que erradamente, ao Papa Francisco, passa a ser partilhada como nenhuma outra por muitos e muitos católicos, e ai de quem puser em dúvida a sua veracidade… passa a ser visto como conservador, retrógrado ou mesmo anátema!

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No último Carnaval, foi colocado no FB um vídeo onde se podia ver um indivíduo fantasiado de Papa (Francisco), com uma espécie de batina e solidéu brancos, a dançar ao som de uma música com ritmo tropical. Mas muito triste mesmo foi ler os comentários de muitos cristãos e católicos a elogiarem aquela (pretensa) sua atitude, pensando genuinamente que ele era o Papa Francisco. E a cada partilha, mais “gostos” e “corações” por baixo do post… Para além de muitas outras evidências, só quem não vê, com olhos de ver, o modo como o verdadeiro Santo Padre se desloca no dia-a-dia é que pode, alguma vez, acreditar que aquele era o papa Francisco.

Em sentido contrário, alguns católicos, particularmente aqueles que gostariam que o Concílio Vaticano II nunca tivesse acontecido, aproveitam a oportunidade para zurzir, forte e feio, no Papa Francisco, sempre que lhe é atribuída uma afirmação mais “liberal”.

Mas não se pode fazer nada em sentido contrário? Sim! É dever de todos os cristãos pugnar sempre pela verdade: lembremo-nos do que Jesus disse, em resposta a uma questão feita por Tomé – “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 5). Logo, não colaborar na propagação de algo que é mentira, pois o “Diabo… é mentiroso e pai da mentira.” (Jo 8, 44).

Bom seria que todos os Homens e Mulheres de boa vontade olhassem, com sentido crítico, para o que veem e leem, de modo muito particular nas redes sociais, e denunciassem ou, pelo menos, não colaborassem na disseminação de tudo aquilo que sabem não ser verdade. Em caso de dúvida, abster-se de comentar, clicar “gosto” e, muito menos, de partilhar. 

Ou será que eu estou errado ao pensar assim?
 

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