Quem apenas se preocupa em ler os títulos, ficando assim satisfeito, e deixa de lado os textos (mais ou menos extensos ou densos), porque “dá muito trabalho” ou ocupa tempo, é como quem acha que apanhar a espuma das ondas é o mesmo que mergulhar nas águas, quentes ou frias, de um qualquer mar ou oceano, ou num rio calmo ou tumultuoso!
Vem isto a propósito de inúmeras afirmações atribuídas ao Papa Francisco, e que abundam nas redes sociais, de modo particular no Facebook (FB), e que parecem ir ao encontro do facilitismo com que muitos gostariam e gostam de ver e tratar estas coisas da religião e da fé católicas.
“O Papa disse: O inferno não existe!” – «Uau! Assim é que é!» gritam, logo, milhares e milhares de facebookianos, clicando “gosto” e partilhando num frenesim tal, que, rapidamente, a afirmação passa a ter estatuto de “verdade de fé”, para tantos e tantos incautos, que a aceitam acriticamente. Bem pode vir o Vaticano negar tal afirmação, que não consegue travar a divulgação da mentira, espalhada, em segundos, aos “quatro ventos” do mundo virtual.
Qualquer frase ou afirmação atribuída, ainda que erradamente, ao Papa Francisco, passa a ser partilhada como nenhuma outra por muitos e muitos católicos, e ai de quem puser em dúvida a sua veracidade… passa a ser visto como conservador, retrógrado ou mesmo anátema!
No último Carnaval, foi colocado no FB um vídeo onde se podia ver um indivíduo fantasiado de Papa (Francisco), com uma espécie de batina e solidéu brancos, a dançar ao som de uma música com ritmo tropical. Mas muito triste mesmo foi ler os comentários de muitos cristãos e católicos a elogiarem aquela (pretensa) sua atitude, pensando genuinamente que ele era o Papa Francisco. E a cada partilha, mais “gostos” e “corações” por baixo do post… Para além de muitas outras evidências, só quem não vê, com olhos de ver, o modo como o verdadeiro Santo Padre se desloca no dia-a-dia é que pode, alguma vez, acreditar que aquele era o papa Francisco.
Em sentido contrário, alguns católicos, particularmente aqueles que gostariam que o Concílio Vaticano II nunca tivesse acontecido, aproveitam a oportunidade para zurzir, forte e feio, no Papa Francisco, sempre que lhe é atribuída uma afirmação mais “liberal”.
Mas não se pode fazer nada em sentido contrário? Sim! É dever de todos os cristãos pugnar sempre pela verdade: lembremo-nos do que Jesus disse, em resposta a uma questão feita por Tomé – “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 5). Logo, não colaborar na propagação de algo que é mentira, pois o “Diabo… é mentiroso e pai da mentira.” (Jo 8, 44).
Bom seria que todos os Homens e Mulheres de boa vontade olhassem, com sentido crítico, para o que veem e leem, de modo muito particular nas redes sociais, e denunciassem ou, pelo menos, não colaborassem na disseminação de tudo aquilo que sabem não ser verdade. Em caso de dúvida, abster-se de comentar, clicar “gosto” e, muito menos, de partilhar.
Ou será que eu estou errado ao pensar assim?




