Miguel Fontes recebe-nos em sua casa onde, junto à roda de madeira, nos mostra um pouco daquilo que aprendeu com os avós, ainda em criança. Em cerca de cinco minutos, sai das suas mãos uma caneca. Agora é esperar que seque para depois, juntamente com tantas outras peças, ir a cozer, num dos fornos da aldeia de Bisalhães.
“Cresci no meio da olaria”, diz-nos, ainda que nem sempre se tenha dedicado a ela. Foi há coisa de 17 anos, “quando a situação estava complicada, devido à falta de oleiros” que Miguel decidiu fazer disto uma coisa mais séria. “Os oleiros tinham uma idade avançada e temia-se que a olaria pudesse desaparecer”.
As peças começaram a surgir e “com a ajuda do oleiro mais velho, que ainda está vivo, o senhor Manuel Martins, conseguia cozê-las. Eram em número reduzido e então aproveitávamos que ele também tinha peças para cozer”, recorda o oleiro, confessando que “foi a partir dessa altura que terminou o meu anonimato”.
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