Domingo, 1 de Fevereiro de 2026
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O apateísmo

Dizem alguns entendidos que estamos a assistir a uma nova procura pela espiritualidade, o que pode não ser exatamente a busca de uma fé ou a pertença a uma confissão religiosa.

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Cansaço e tédio do secularismo que arrastou as pessoas para um materialismo e um hedonismo que nos deixaram sem alma e nos desviaram dos grandes ideais com que se deve viver a vida? Busca de pacificação pessoal perante a velocidade do mundo presente e a voracidade de experiências a que estamos escravizados? A ver vamos.

Se está a aumentar a busca de espiritualidade, também se vê crescer a indiferença pelo espiritual e por Deus. Um tipo de ateísmo que atualmente ocupa o primeiro lugar do pódio talvez seja o que alguns chamam o “ateísmo do orgulho”: impulsionado pelos grandes avanços e descobertas científicas dos últimos anos, pelo progresso tecnológico que permitiu à humanidade adquirir ferramentas poderosas e de grande engenho e produtividade, que abriram um novo mundo de domínio e possibilidades, o ser humano atual sente-se quase divino, sente-se tentado a ser como Deus e que pode ser Deus, com capacidade para ser senhor do bem e do mal, determinar o que é bom e o que é mau, segundo o seu próprio gosto, interesse e vantagem. Domina a sensação de que tudo está nas suas mãos e tudo será possível, já não é preciso perder mais tempo na busca de um Deus e em viver uma relação com Ele, já nada faz falta e o que Deus tem para oferecer já não é preciso. Já tudo se pode alcançar para preencher todas as necessidades do ser humano. Deus é para esquecer. Ateísmo que nos leva ao encontro do “pecado original” nos inícios da história da humanidade.

Talvez o maior desafio que a Igreja hoje encontra é o confronto com os que alguns denominam como apateístas, os apáticos, os indiferentes perante Deus, a fé, a religião e a Igreja, aqueles que não manifestam qualquer interesse por Deus e pela vida religiosa, que afirmam não precisar de Deus para nada e que se pode viver perfeitamente sem qualquer ligação ao transcendente ou a uma confissão religiosa, pessoas completamente alheias à fé e sem necessidade de contacto com a Igreja. Pessoas que se sentem bem no seu mundo plenamente mundano. Conversar com os indiferentes, que rejeitam liminarmente qualquer diálogo e atenção à fé ou a Deus, que se sentem muito bem na sua indiferença saciada e autossatisfeita, despertá-los e trazê-los para o universo da fé, é um desafio que a Igreja hoje tem diante de si. Como poderemos quebrar esta indiferença?

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