Sábado, 16 de Outubro de 2021
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O Brexit e a Cimeira dos Amigos da Coesão

“Brexit” passou a fazer parte do léxico comum de jornalistas e colunistas dos meios de comunicação social, nomeadamente, nas secções de política e de economia.

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Nestes três anos e meio, depois de junho de 2016, a palavra que traduziu o sentido de voto da maioria dos britânicos que participaram no referendo sobre “A permanência do Reino Unido na União Europeia (UE)” foi, julgo, uma das que mais se leu ou ouviu. Teve um momento importante para a sua concretização no passado dia 31, dia que antecedeu a Cimeira dos Amigos da Coesão, em Beja. Mas que coincidência! Enquanto uns celebravam o “Brexit”, 17 dos restantes 27 Estados-membros, juntamente com duas Comissárias Europeias, reuniam no país que é o Estado-nação mais velho da Europa, em Cimeira, para afirmar uma das mais importantes componentes da União Europeia.

Decerto, não passou despercebido aos que, minimamente, dedicam atenção às questões europeias, ou tão-somente, às questões da “polis”. Numa das manifestações que nos foram transmitidas pela televisão, ouvi a um dos que participavam – podem crer, não fiquei convencido se era dos que haviam defendido o “permanecer”, ou o “deixar” a UE – esta frase, que cito de cor: «eles, os de Westminster – referia-se ao Parlamento britânico – agora, não têm desculpa. E devem ser responsabilizados pelo que decidirem». Pessoalmente, sempre estive muito atento a esta componente da construção europeia: o aprofundamento da integração trazia um sentimento de perda de soberania. Era algo de natural, pois estaríamos, enquanto Estados, a abdicar de tomar decisões sozinhos, em algumas matérias, em benefício da procura de maior eficácia das decisões, em benefício de todos. A contrapartida era, em muitos casos, uma maior coesão económica e social. Aliás, quando através do Ato Único, nos anos oitenta, se avançou para a criação do Mercado Interno, definiram-se, de igual modo, metas relativas à coesão económica e social e à melhoria das condições de trabalho. As questões sociais começavam, pois, a ganhar relevo. Mas a grande contrapartida que a criação das Comunidades Europeias e o aprofundamento da construção europeia nos trouxeram foi a paz. Claramente. Não é necessário revisitar a História de séculos da Europa; basta lembrar o que foi a 1ª metade do séc. XX, com as duas guerras e as mortes e destruição que acarretaram. A Paz… Um Bem que devemos lembrar neste momento em que se inicia uma certa “desconstrução” europeia, como há dias referiu o vila-realense Francisco Seixas da Costa. Por estes dias, de festividades, para alguns, ocorreram-me momentos deste percurso em que o Reino Unido viu barrar-lhe a entrada. Vetos de Charles de Gaulle.

Este passo, que agora se mostra irreversível, com consequências para o Reino Unido, que sai, mas também para os que se mantêm, obriga a todos a pensar seriamente como continuar. Há coisas a melhorar. O que se passou com a crise de 2007-08 obriga a algumas ilações e alterações. Será bom para todos.

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