Domingo, 27 de Novembro de 2022
Luís Pereira
Luís Pereira
Historiador e Arqueólogo. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Oiçam as vozes

Na atualidade levantam-se cada vez mais vozes contra determinadas vontades ou teimosias políticas, sendo algo tão democrático o poder de contestar publicamente e livremente as decisões de quem nos governa, pois não basta esperar pelo período das eleições para mostrar o agrado ou o desagrado sobre a política.

-PUB-

Contudo, estamos reféns do oportunismo que aproveita todas as negociatas para justificar o injustificável: a perda da qualidade de vida dos habitantes, perda de espaços verdes e a perda de monumentos para a satisfação dos caprichos da economia, mesmo quando não são compensatórios para o país. É o caso das concessões de prospeção e de exploração do lítio dentro de áreas agrícolas protegidas (supostamente), de áreas florestais ou perto de comunidades tal como se prevê que aconteça em Montalegre e em Mondim de Basto, entre outras localidades. Transmitem a ideia que todos os negócios são favoráveis aos portugueses e que esse é o futuro, tal como no passado recente também era o futuro as energias renováveis para justificar a proliferação de parques eólicos nas serras, mas o resultado é que o renovável afinal de contas sai caro aos bolsos dos portugueses e a energia tem um lado escuro e sombrio de grandes impactos ambientais sucessivamente camuflados pela vontade dos governantes. O mesmo justificaram para a construção de barragens nos rios Tua e Sabor, tributários do rio Douro, pondo em sério risco o estatuto de Património da Humanidade do Alto Douro Vinhateiro, para depois serem vendidas em esquema de pirâmide com o aval do governo e em prejuízo direto para o país.

O mapa cor de rosa permite que o governo tome de assalto o território e parte do princípio que se o negócio é para o amigo então força-nos a aceitar quase inevitavelmente as suas condições com base naquela “agência amiga do ambiente” que é muito favorável às negociatas e pouco exigente ao impacto que as obras de exploração mineira deixam no território, ao impacto que a agricultura intensiva provoca no solo e nas reservas de água (um bem escasso atualmente), o impacto dos parques fotovoltaicos que dizimam a fauna e a flora protegida, comprometendo assim e seriamente as pessoas, o ambiente e o futuro. Contornam os problemas regionais através da falada regionalização de um território pequeno como é Portugal para melhor distribuir o financiamento europeu através de comissões criadas que gerem os territórios e deliberam sobre todas as áreas, dissimulando a informação ao estilo de uma cosa nostra. Assiste-se por fim ao desespero económico de um país que vive da boa vontade da UE, cheio de gestores políticos que capitalizam o que dá prejuízo, vendem ao desbarato o que dá lucro e agem como capitalistas de terceira que querem explorar o lucro imediato e de curto prazo mas não resolvem os problemas de um país cada vez mais deserto de pessoas, de água, de ideias reais e com mais problemas estruturais.

Mais Lidas

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.