Domingo, 26 de Setembro de 2021
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Oração Em Tempos de Pandemia

Estes tempos de pandemia estão a pôr à prova a imagem que ainda temos e fazemos de Deus.

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Uns acham que a pandemia veio confirmar como Deus é uma perda de tempo. Não fosse a ciência e o mundo, estaria perante um drama dantesco. Qual orações qual carapuça! A fé e a oração é um desperdício, para não dizer uma tontice. Outros, os crentes assumidos e mais devotos, multiplicaram e entregaram-se a práticas de piedade religiosa, como se Deus estivesse a dormir e estranhamente despreocupado com vida da humanidade, ou na convicção de que a oração é uma solução mágica de que dispomos para resolver rapidamente e magicamente todos os problemas e todos os males. A oração parece um poder para podermos ter tudo o que queremos, uma ferramenta multifunções, tipo canivete suíço, para enfrentarmos todos os imprevistos e resolvermos as dificuldades e empecilhos, de preferência, sem nos comprometer muito.

Aos ateus e a muitos crentes, temos de dizer que Jesus Cristo revelou-nos Deus como um pai, que salva pela sua presença fiel e amorosa na caminhada histórica de cada homem e de cada mulher, e na caminhada histórica da humanidade, é o que chamamos a graça, um Deus Amor que se faz presente sempre no meio de nós. Não pela força e o poder, mas pelo serviço e até pela fragilidade, para amar sempre e cada vez mais, que se faz presente pela sua palavra e pelo seu Espírito. Portanto, Deus não tem todas as soluções, e soluções mágicas muito menos ainda, mas compromete-nos e responsabiliza-nos com Ele para as encontrarmos.

O nosso pragmatismo e o nosso utilitarismo perguntam imediatamente: então para quê rezar, se Deus afinal não tem soluções instantâneas? Para quê rezar se, ao fim e ao cabo, somos nós, ou assim parece, que temos de resolver tudo ou quase tudo? Para que serve a oração? A oração é para tomarmos continuamente consciência de quem somos, não perdermos a memória de nós mesmos e dos outros, é para sabermos entender a vida e vivê-la com verdade e profundidade, para sabermos viver e acolher o amor e a sabedoria de Deus que nos humanizam e realizam, é para nos tornarmos colaboradores de Deus e uns dos outros, crescermos na comunhão, no amor e na fraternidade. nos unirmos na construção do bem comum. É para não desistirmos de nós mesmos e dos outros, da vida e das boas causas que lhe dão força e sentido. Não renunciemos a amar e a fazer o bem, que nos humaniza e eleva. A oração não é ilusionismo religioso, é para transformar corações e pessoas

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