Domingo, 3 de Julho de 2022
Barroso da Fonte
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Os políticos e os plágios de que usam e abusam

Nos últimos meses as televisões e a imprensa diária ocuparam tempos de antena para zurzirem em Tony Carreira, um emigrante Português que cedo emigrou, como tantos e que se fez à vida, singrando a pulso.

-PUB-

Tornou-se cantor afamado e a sua cantoria arrebata multidões, seja nos palcos da fama em Paris, seja em Montalegre, onde já repetiu a façanha.

Ainda neste verão a própria Câmara deu guarida a esse músico. Quando se profissionalizou na música, ignorava que era preciso pagar direitos ao autor da música e da letra. Há uns dez anos atrás, um seu antigo editor queixou-se e Tony Carreira não mais se livrou dessa inexperiência. O caso foi longe e T.C. tentou pagar esses direitos passados e presentes. Chegou a falar-se em verbas da ordem de 45 mil euros. Entendeu-se com 3 dos autores que imitou e o mesmo estaria disposto a fazer com mais oito que ainda não se queixaram. 

Neste verão voltou a polémica e mais grave nos seus efeitos. À data em que escrevo esta nota ainda não se conhecem os «finalmente». 

Também fui vítima de um crime desses por parte da Ágata. Em 1974, para assinalar os 50 anos de vida do Grupo Desportivo de Chaves, a direção convidou-me a escrever a letra e ao Carlos Emídio Pereira, a Música. Quando o Desportivo de Chaves subiu à I divisão a Espacial, discográfica do companheiro de Ágata, passou esse Hino a CD e nele escreveu «Letra e Música Populares». 

Fui das últimas pessoas a saber por Eurico Borges. Falei com a Família de Carlos Pereira e ambos processámos a Espacial. Como ele tinha falecido sem registar a autoria da música, o processo foi arquivado. Não mais me interessei para não prejudicar o desportivo. 

Em 2004  António Lobo Antunes, publicou o livro: «Eu hei-de amar uma pedra». Denunciei-o por ter ele plagiado o meu título, do livro de poemas: «É preciso amar as pedras». Editado pela Pax (Braga) em 1970. Plágio claríssimo, 34 anos depois de cometido. 

 Em Abril deste ano a Câmara de Montalegre associou-se a uma homenagem a António Rito, em Vilar de Perdizes. O Gabinete de imprensa deu a notícia nestes precisos termos: A Associação de Defesa do Património de Vilar de Perdizes – com o apoio da União das Freguesias de Vilar de Perdizes e Meixide e município de Montalegre – prestou homenagem a um “filho da terra”. A memória de António Rito foi lembrada com um conjunto de ações, entre elas, a inauguração de um espaço cultural com o nome do homenageado.  

A mostra de fotos e o filme exibido são da autoria de um cineasta e fotografo francês. Dias depois o Autor foi ao local do crime e reparou que não houve autorização, nem legendagem, nada. Irritado escreveu uma carta ao Presidente da Câmara a ameaçar a organização de que iria agir judicialmente. Orlando Alves confirmou que estivera presente, como convidado e «com muito gosto». A responsabilidade remeteu-a para o povo…

O mesmo andam a fazer as caravanas partidárias com músicas de autores vários…

Mais Lidas

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.