Terça-feira, 21 de Abril de 2026
SaúdePortugal na linha da frente na luta contra cancro do colo do útero

Portugal na linha da frente na luta contra cancro do colo do útero

A vacinação contra o HPV e o rastreio podem levar à erradicação deste e de outros tipos de cancro provocados pelo vírus

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O cancro do colo do útero, provocado pelo HPV, já foi o segundo tipo mais prevalente nas mulheres em Portugal, mas a incidência e mortalidade desta doença têm vindo a diminuir. Em 2010, a incidência padronizada era de 11,8 por 100 mil pessoas e em 2020 tinha descido para 7. Muito graças à vacinação contra o HPV, que passou a ser gratuita há 17 anos. No entanto, continua a ser o mais prevalente de todos na mulher, em países africanos.

Mas o que é o HPV e é sempre sinónimo de cancro? A sigla significa vírus do papiloma humano que, habitualmente, infeta pele e mucosas humanas, geralmente por via sexual, e que pode provocar doenças benignas, como verrugas ou lesões, ou malignas, como cancro. Destes, o mais comum é o do colo do útero.

Existem mais de 100 subtipos do HPV, alguns têm potencial oncogénico e outros não. O vírus “é muito prevalente na população a nível mundial”, e a maioria das pessoas é infetada em algum momento da vida. Mas isso não quer dizer que venha a desenvolver alguma destas doenças.

Na verdade, a maior parte das infeções resolve-se de forma espontânea, e muitos nem chegam a aperceber-se da sua presença, por não manifestar sintomas.

ERRADICAÇÃO

Estudos indicam que o cancro do colo do útero pode vir a ser erradicado, com a generalização da vacina e com rastreios, e Portugal está na linha da frente nessa matéria, já que tem uma taxa de cobertura de vacinação contra este vírus de 85%, na população que é elegível para ser vacinada. Um valor “que é muito bom a nível mundial” e mesmo comparando com “outros países europeus, que têm taxas de abrangência bem mais baixas, porque as pessoas não aderem tanto à vacinação”, explica a ginecologista, Daniela Freitas.

“Sabemos que o cancro do colo do útero ocorre na mulher jovem e já conseguimos ver o efeito da vacina com a diminuição da incidência”
DANIELA FREITAS
GINECOLOGISTA HOSPITAL DA LUZ
 

“Mais de 99% dos cancros do colo do útero são associados ao HPV, é praticamente uma raridade existir um cancro deste tipo não associado ao vírus do HPV”, salienta a especialista em ginecologia e obstetrícia.

Segundo dados do Registo Oncológico Nacional, em 2021, havia mais de 500 novos casos de cancro do colo do útero, e nesse ano este tipo de cancro já não aparecia na lista dos 10 mais incidentes. “Sabemos que o cancro do colo do útero ocorre na mulher jovem e já conseguimos ver o efeito da vacina com a diminuição da incidência”, sublinha.

Segundo a médica do Hospital da Luz de Vila Real, a prevalência ainda “é elevada a nível mundial, embora esteja a decair significativamente nos países desenvolvidos graças à vacina do HPV”, que além de segura é eficaz, pois protege contra o HPV para toda a vida.

RAPAZES

No caso português a vacina entrou no Plano Nacional de Vacinação em 2008, inicialmente abrangendo apenas as raparigas e é administrada aos 10 anos. Desde 2020, também os rapazes, nascidos a partir de 2009, passaram a ser incluídos.

“A vacina é prevenção primária, que deve ser feita idealmente, aos 10 anos, para garantirmos que é feita antes do início da atividade sexual. Ainda assim, pode haver indicações para fazer a vacina em idades até adultas”, esclareceu.

A nível da prevenção secundária, “existe o rastreio do cancro do colo do útero, que desde 2018 está estabelecido a nível nacional, com base na pesquisa do HPV” e que “vale mais pela negativa, ou seja, a mulher que não está infetada, sabemos que pode ficar mais tranquila, que não terá uma doença provocada por este vírus”.

Mas o HPV pode provocar outros tumores, e há uma incidência cada vez maior de cancro do canal anal e da orofaringe, estando também associado a cancros da vagina e alguns da vulva.

Apesar da evolução positiva no combate a este vírus, a médica Daniela Freitas salienta que a estratégia de vacinação “poderia ter sido adotada mais cedo” e “se eventualmente conseguirem desenvolver uma vacina que cubra ainda mais estirpes oncogénicas, ainda será mais eficaz”.

Além disso, considera que a informação nunca é demais. “Os médicos, tanto de família como os ginecologistas, podem falar mais sobre este tema nas consultas, que muitas vezes não é abordada. Se fez a vacina, se não fez, e recomendar a vacinação mesmo em idades mais tardias, porque as pessoas, hoje em dia, mesmo pelos próprios comportamentos sexuais que têm, como mudanças mais frequentes de parceiros sexuais, acabam por estar expostos ao risco durante um período maior da sua vida”, sublinhou.


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