Sábado, 4 de Dezembro de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Que conselho de segurança

O que temos nós, que vivemos cá tão longe, com o que se passa no Afeganistão? A resposta é óbvia: temos tudo a ver, nesta Aldeia Global em que o mundo está transformado, quando os fundamentos da civilização são colocados em causa, é toda a humanidade que é atingida.

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O bárbaro comportamento dos extremistas Talibãs, num país entregue à sua sorte por uma irresponsável decisão da Administração dos Estados Unidos, “abandonando de forma hipócrita” um território e um povo, condenando ao sacrifício as mulheres afegãs, compele-nos a refletir sobre a forma de prevenir situações idênticas, em outras paragens, porque o fundamentalismo não dá mostras de querer desaparecer.

Esta “Aldeia Global” em que vivemos, criou, há dezenas de anos, uma Organização que era suposto ter a responsabilidade de prevenir atos destes. A ONU – Organização das Nações Unidas, sedeada em Nova Iorque, a cujo Secretariado preside um português com larga experiência política, até pelo alto cargo que desempenhou no nosso país. Esta Organização, tem representantes de todas as Nações a residir na cidade sede, sendo fácil, portanto, convocar uma Assembleia, sempre que necessário. Tem também um Conselho de Segurança, que como o seu nome indica se destina a atuar quando esta esteja em perigo, em qualquer parte do mundo. Este Conselho de Segurança, já se percebeu, não “segura” nada, ao que supomos, por falta de meios, ou por falta de organização. Percebemos que esta organização, não possua, em permanência “Capacetes Azuis”, umas Forças Armadas, que possam ser dissuasoras e interventivas, em caso de eminente conflito de segurança. Outras Organizações, como a NATO, como tem em permanência forças armadas, em cada um dos países membros, prontas a intervir quando se percebe que algo de anormal estará para acontecer. E vão fazendo missões de acompanhamento no terreno, ajudando a preparar a defesa desses países membros, quando têm menos meios para se defenderem.

Custa a acreditar que, num caso como o Afeganistão, em que se sabe que a sociedade local está muito dividida, por motivos de natureza religiosa e étnica – não havendo um lastro de unidade entre tribos, tradicionalmente antagónicas, não tenda sido chamada qualquer força de interposição, quando os Estados Unidos decidiram unilateralmente, abandonar à sua sorte aqueles milhões de afegãos.

Há que rever, se necessário, o Estatuto do Conselho de Segurança, e dotá-lo dos meios para prevenir este tipo de conflitos. Não podem ser deixados à sua sorte tantos milhares de mulheres e crianças indefesas. Aprendamos ao menos esta lição.

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