29Eles sempre se agigantam, ou iludem. Será uma atitude inteligente, sei lá, em muitos casos, mesmo algo corajosa, ser capaz de os enfrentar. Não os que iludiram D. Quixote, que o escudeiro bem identificou. Outros, que nesta época do ano tendem a enlear-nos, enredando-nos no consumismo, toldando a nossa visão, dificultando, ou impedindo mesmo o ver mais além, de forma clara, objetiva e enriquecedora. Por aqui, o “amigo secreto” ajudou a dosear alguns desses devaneios. Pois a propósito deste Natal saltaram-me para as redes do telemóvel pequenas frases, que os Musks que por aí dominam não gostam de escritos longos, ou computador adentro textos mais refletidos e elaborados a falar de esperança! Afinal, pensei, uma mensagem muito ajustada a este nosso tempo. Motivos para desencantos e frustrações proliferam e há o risco de se sobreporem à esperança de um futuro melhor, onde a paz e a solidariedade proporcionem um bem-estar generalizado.
Crises não faltaram nos últimos tempos: financeiras, socioeconómicas, sanitárias, enfim, para todos os (des)gostos. E, finalmente, a guerra. Que persiste, apesar de haver quem não queira usar a palavra. Talvez por ser tão cruel. Hoje como ontem. Horrores que alguns livros bem documentam e filmes testemunham. O risco de se perder a esperança é, pois, real. Persistem as memórias que nos apontam ao pessimismo. Não são moinhos de Cervantes. São bem reais. E mesmo quando já nos mostramos capazes de não viver as obsessões que as crises nos causaram há sempre uma comunicação social que se encarrega de o fazer. A necessidade de ocupar espaços noticiosos e satisfazer as exigências dos que compram minutos de publicidade a tal conduz. Algumas televisões especializaram-se no metier. Sabe-se lá se, num caso ou noutro, não haverá até outras causas que levam a isso!
Pois a mensagem de esperança, no Natal deste ano, em que, mais uma vez, se comemora o nascimento de Jesus, cujos pais não encontraram lugar na hospedaria e, por isso, recorreram a um abrigo de pastores, vem muito a propósito. A esperança que nos trouxe esse menino, Deus connosco – Emmanuel, que acompanha cada um na “história da libertação, no caminho da liberdade e da salvação”, como, com muita oportunidade, refere Anselmo Borges no DN do passado dia 24. Esperança que é também essencial para que haja futuro, que cada um, por si, e em conjunto sejamos capazes de construir.



