António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil e Ex-Deputado

Que renasça a esperança no Natal

É habitual e não valerá muito a pena lutar contra moinhos de vento.

29Eles sempre se agigantam, ou iludem. Será uma atitude inteligente, sei lá, em muitos casos, mesmo algo corajosa, ser capaz de os enfrentar. Não os que iludiram D. Quixote, que o escudeiro bem identificou. Outros, que nesta época do ano tendem a enlear-nos, enredando-nos no consumismo, toldando a nossa visão, dificultando, ou impedindo mesmo o ver mais além, de forma clara, objetiva e enriquecedora. Por aqui, o “amigo secreto” ajudou a dosear alguns desses devaneios. Pois a propósito deste Natal saltaram-me para as redes do telemóvel pequenas frases, que os Musks que por aí dominam não gostam de escritos longos, ou computador adentro textos mais refletidos e elaborados a falar de esperança! Afinal, pensei, uma mensagem muito ajustada a este nosso tempo. Motivos para desencantos e frustrações proliferam e há o risco de se sobreporem à esperança de um futuro melhor, onde a paz e a solidariedade proporcionem um bem-estar generalizado.
Crises não faltaram nos últimos tempos: financeiras, socioeconómicas, sanitárias, enfim, para todos os (des)gostos. E, finalmente, a guerra. Que persiste, apesar de haver quem não queira usar a palavra. Talvez por ser tão cruel. Hoje como ontem. Horrores que alguns livros bem documentam e filmes testemunham. O risco de se perder a esperança é, pois, real. Persistem as memórias que nos apontam ao pessimismo. Não são moinhos de Cervantes. São bem reais. E mesmo quando já nos mostramos capazes de não viver as obsessões que as crises nos causaram há sempre uma comunicação social que se encarrega de o fazer. A necessidade de ocupar espaços noticiosos e satisfazer as exigências dos que compram minutos de publicidade a tal conduz. Algumas televisões especializaram-se no metier. Sabe-se lá se, num caso ou noutro, não haverá até outras causas que levam a isso!

Pois a mensagem de esperança, no Natal deste ano, em que, mais uma vez, se comemora o nascimento de Jesus, cujos pais não encontraram lugar na hospedaria e, por isso, recorreram a um abrigo de pastores, vem muito a propósito. A esperança que nos trouxe esse menino, Deus connosco – Emmanuel, que acompanha cada um na “história da libertação, no caminho da liberdade e da salvação”, como, com muita oportunidade, refere Anselmo Borges no DN do passado dia 24. Esperança que é também essencial para que haja futuro, que cada um, por si, e em conjunto sejamos capazes de construir.

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