Há dias, fui ao médico. Uma azia estomacal andava a dar-me cabo da disposição. Nada de grave – adiantou o meu amigo clínico que, por cima dos óculos grossos das dioptrias do tempo, acrescentou: “– Telejornais!”, Assim, sem mais nem menos, e, conhecendo-me ele, medicamente, há trinta anos – altura em que se formou – somando a mais vinte de amizade de bairro, não teve dúvidas de que a irritação de que padecia o saco onde deposito, diariamente, legumes contaminados por pesticidas, carne carregada de nitrofurano, peixe encharcado de mercúrio, fruta a tresandar a químicos e água impregnada de radioactivos, não era provocada pelo pão nosso de cada dia. O mal estava na TV: “
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