Com 60 operacionais no ativo, 20 na reserva e 15 em formação, a associação tem, mesmo assim, dificuldades em “angariar” bombeiros, sendo a desertificação o principal motivo.
“Temos 40% dos bombeiros em regime de voluntariado, mas há cada vez menos gente no território e os jovens fogem de cá, em busca de uma vida melhor”, confessa António Salema, presidente da Associação, admitindo que “precisávamos de mais 30 elementos”.
Em Moncorvo, frisa, “há falta de juventude e 70 a 80% da população tem mais de 65 anos. Olhando para as associações de bombeiros, isto é uma verdadeira tragédia, há pouco voluntariado”. É preciso, admite, “criar incentivos para manter os jovens em Moncorvo e, consequentemente, que os cative a ingressarem nos bombeiros”.
Mas as dificuldades não se ficam por aqui. O preço dos combustíveis e o atraso no pagamento dos serviços prestados complicam as contas da Associação.
“O gasóleo subiu demasiado e é pago ao preço corrente, o que nos traz grandes dificuldades. Além disso, tanto as despesas dos fogos florestais como o transporte de doentes são situações que podemos considerar como uma aberração”, refere o responsável, acrescentado que “as receitas não entram a tempo, o pagamento das entidades também se atrasa e nós temos que pagar aos fornecedores de combustível e às oficinas”. Ainda assim, “a situação já não está tão mal como há uns tempos. Agora, os pagamentos são feitos em cerca de 60 dias e não em meio ano”.
“Temos 40% dos bombeiros em regime de voluntariado. Há cada vez menos gente no território e os jovens
fogem de cá”António Salema – Presidente
Vai valendo “o apoio da câmara municipal, que paga, por exemplo, todos os transportes oncológicos”, afirma António Salema. Quando nos recebeu salientou que, “em breve, teremos uma terceira Equipa de Intervenção Permanente (EIP), que também depende da autarquia, que paga 50% das despesas”. Uma intenção que, entretanto, se tornou realidade.
Com esta terceira EIP, os bombeiros de Torre de Moncorvo ficam com um total de 15 operacionais em permanência, disponíveis “24 horas por dia, 365 dias por ano”. Desta forma, “é possível prestar um melhor serviço à população”, espalhada por um raio de 532 quilómetros quadrados.
“Há duas situações em que os bombeiros estão presentes, ao longo do ano: no socorro e na defesa do património. Com esta nova EIP, as populações podem ficar mais sossegadas”, conclui António Salema.
De referir que a Movhera ajudou recentemente a Associação com um financiamento superior a 20 mil euros que permitiu renovar a Central de Comunicações e Operações.
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