Eduardo Varandas
Eduardo Varandas
Arquiteto. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Um homem armagurado

Há dias entrei na livraria Sá da Costa, no Chiado, agora transformada em alfarrabista, e ao deparar com um livro, que despertou a minha atenção, da autoria do professor Veríssimo Serrão, intitulado Marcello Caetano Confidências no Exílio, folheei-o ao de leve e, ao tomar contacto com o seu conteúdo, decidi adquiri-lo, para satisfazer a minha curiosidade.

Trata-se de uma obra biográfica sobre a vida do último primeiro-ministro do Estado Novo que abarca, fundamentalmente, os anos de 1974 a 1980, correspondentes ao período do seu exílio forçado no Rio de Janeiro.

Li-o com bastante interesse, tendo nele constatado, surpreendentemente, as revelações produzidas por Marcello Caetano sobre alguns dos personagens que foram, não só seus colaboradores próximos, como de muitos daqueles que, durante anos, juraram fidelidade ao regime, para depois, num golpe de mágica, aderirem, farisaicamente, aos novos senhores do poder e de diversos outros, que sempre militaram no bloco oposicionista. As suas considerações sobre a maioria dessas figuras públicas são muito pouco lisonjeiras e abonatórias. Refira-se a título de exemplo, o que pensava

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