Sábado, 18 de Setembro de 2021
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Vila Real candidata-se a Capital Europeia da Cultura 2027

Entidades da área cultural, coletivas e individuais, foram contempladas com Medalhas de Mérito Municipal

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“Pelo exposto, a Câmara Municipal de Vila Real deliberou atribuir…” Chegou-me através do facebook, pois escrevo enquanto decorre a cerimónia em que o Município faz a entrega de Medalhas de Mérito a munícipes, por ocasião do aniversário da elevação a cidade. Este, o 96º. Entidades da área cultural, coletivas e individuais, foram contempladas. Também assim se eleva a cultura.

Coincidência, ou talvez não, a notícia saltou para a opinião pública nesta semana.

Parabéns! Foi a exclamação que me surgiu quando a Universidade fm me deu a conhecer tal desiderato, que depois li na nossa VTM. Vila Real e o Palácio de Mateus, com seus jardins e museu, Vila Real e as Terras de Panóias, onde as legiões romanas ergueram um dos seus santuários, Vila Real, por onde passou Camilo Castelo Branco, Vila Real, inserida na mais antiga região vinhateira demarcada e regulamentada do mundo, integrada a partir de 2001 na lista da UNESCO dos Patrimónios da Humanidade, de que Torga descreve os socalcos como “passadas de homens titânicos a subir as encostas”, que Eça refere na sua Cidade e as Serras, que Saramago considera de “«grave delito» não trazer aqui todos os portugueses”, que António Cabral classifica como “paraíso do vinho e do suor,/ rio das grandes cheias,/ do abraço final / de troncos de homens, / de árvores e sonhos”, que Pires Cabral, no poema “Uma só água”, mostra ser um rio de “encontro das águas / com pontes e calor e voo de aves / indiscretas”.(*) Douro, tão belo no outono que a simplicidade da menina austríaca apelidou de “montes pintados” e que João de Araújo Correia tão bem descreve.

A valia da candidatura de Vila Real ganhará mais força se tiver presente todos estes aspetos e os assumir numa visão de toda a região. A sua capitalidade, que a história lhe concedeu terá, hoje, sentido se a sua afirmação se fizer com… liberto de espírito de quintal. Os que vêm até nós e reconhecem a singularidade do Douro dizem-no-lo. Por isso, realço o sentir refletido na apresentação pública desta ideia, quando li – «Esta candidatura foi equacionada desde o primeiro momento potenciando o envolvimento dos territórios circundantes, nomeadamente os Concelhos integrantes da CIMDOURO»

Uma opção muito positiva, quanto a mim, Que os nossos escritores, como bem se vê, também valorizam.

PS: + Citações retiradas de “A Literatura, memória cultural do património vitivinícola do Douro”, de Maria da Assunção Morais Monteiro, in A Literatura, memória cultural do pat vitivinícola do Douro.pdf (consultado em 22/07/2021)

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