Os viticultores da região do Douro concentraram-se esta manhã em frente à sede do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), no Peso da Régua, para reivindicar soluções imediatas para o escoamento das uvas. A manifestação ocorre num contexto de aumento previsto na produção, estimado em cerca de 25%, enquanto os pequenos e médios produtores expressam preocupações sobre a venda das suas colheitas.
A reportagem da Agência Lusa falou com vários viticultores presentes na manifestação. Vítor Herdeiro, presidente da Associação dos Viticultores e da Agricultura Familiar Douriense (Avadouriense), afirmou à Agência Lusa que “já há viticultores a queixarem-se de que não lhes querem nem as uvas para vinho do Porto nem as uvas para o vinho de mesa”. Esta situação, segundo Herdeiro, tem-se repetido nas últimas três campanhas e agrava-se este ano devido ao aumento da produção.
O dirigente destacou que é essencial garantir o escoamento das uvas destinadas ao benefício, cuja quantidade foi fixada em 76 mil pipas pelo Conselho Interprofissional do IVDP. Ele sublinhou que as cartas recebidas pelos viticultores aumentam “o sufoco” para aqueles que já investiram tempo e recursos na vinha durante todo o ano.
Vítor Rodrigues, dirigente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), também se manifestou sobre a necessidade de implementar a medida de uva para destilar. Esta recomendação foi aprovada em julho na Assembleia da República com apoio de vários partidos, embora não tenha força de lei. A medida foi introduzida pela primeira vez na vindima de 2025, oferecendo um apoio de 50 cêntimos por quilo de uva entregue para destilação.
Maria Lebres, uma viticultora de 72 anos, expressou preocupação com a possibilidade de “quererem menos vinho” nesta campanha. Ela mencionou que os custos de produção continuam a aumentar sem correspondência nos preços pagos pelas uvas. “Eu tenho que pôr lá dinheiro da minha reforma para chegar, porque a vinha não dá”, lamentou Maria Lebres.
A sua filha, Cátia Botelho, também se mostrou preocupada com as despesas crescentes e os lucros inexistentes. “Por este caminho vamos ter que abandonar, ninguém consegue […]”, disse Cátia Botelho, enfatizando a necessidade de contratos claros sobre os preços das uvas.
Carla Félix, viticultora em Sanfins do Douro, participou na manifestação pedindo dignidade para quem trabalha no setor vitivinícola. Ela criticou os preços praticados por quem recebe a produção agrícola como sendo impraticáveis e pediu uma regulação equitativa entre pequenos e grandes produtores. Vítor Herdeiro reiterou que é necessário traçar um novo caminho para valorizar a produção vitivinícola na região.
O plano executivo para a gestão sustentável e valorização do setor vitivinícola da Região Demarcada do Douro está atualmente em análise pelo Conselho Interprofissional do IVDP após ter sido entregue ao Governo.

