Ao longo da sessão foi sublinhada a importância de aproximar o conhecimento científico dos produtores e de reforçar a inovação como ferramenta de diferenciação. Segundo Márcio Carocho, da organização, “o objetivo é debater o que já se fez para promover estes alimentos, mas sobretudo para perceber o que ainda está por fazer”, sublinhando a necessidade de valorizar os produtos locais como património económico e cultural.
Já José Alberto Pereira, diretor do Laboratório Associado para a Sustentabilidade e Tecnologia em Regiões de Montanha (LA-SusTEC), defendeu uma maior proximidade entre investigação e território. “Queremos estar no território, apoiá-lo naquilo que ele necessita e contribuir para a implementação de soluções que respondam aos desafios reais dos produtores”, referiu.
Entre os contributos técnicos, Manuela Pintado, da Universidade Católica Portuguesa, destacou o potencial da diferenciação baseada na origem e nas características dos produtos, como a maçã. A investigadora sublinhou que “em cada região, as variedades podem apresentar composições distintas, o que abre oportunidades de valorização no mercado”. E defendeu o aproveitamento de subprodutos agrícolas, alertando que “muitos desperdícios podem ser transformados em novos ingredientes de elevado valor acrescentado, contribuindo para a sustentabilidade económica e ambiental”.
Outro dos temas em destaque foi a inovação na rastreabilidade e comunicação com o consumidor, com o passaporte digital do produto a ser apontado como uma ferramenta estratégica para reforçar a transparência e a autenticidade das produções.
O ciclo de workshops do Ano da Alimentação, organizado pelo Instituto Politécnico de Bragança, arrancou em Mogadouro, onde foram abordados os cogumelos, o mel e o queijo, seguindo depois para Alfândega da Fé, com destaque para a amêndoa e a cereja. Após a sessão em Carrazeda de Ansiães, dedicada ao vinho, azeite e maçã, a iniciativa seguirá para Montalegre, em setembro, onde será debatida a produção de carne e enchidos, encerrando depois em Bragança, em outubro, com um workshop final dedicado à valorização integrada dos alimentos identitários da região.




