Obteve vitórias importantes em cidades como Porto e Lisboa, e o maior número de municípios conquistados permitir-lhe-á presidir à Associação Nacional de Municípios Portugueses. O Partido Socialista (PS) resistiu, não enfrentou um desastre, como frequentemente foi anunciado, acrescentou capitais de distrito e obteve um resultado honroso. O partido Chega, toldado por uma arrogância extrema, cometeu o erro de confundir eleições autárquicas com legislativas.
Este preâmbulo incompleto é pouco rigoroso, repetido no comentário político mediático, e não reflete a essência de umas eleições autárquicas que, apesar de constituírem momentos importantes para os partidos, são eleições muito particulares e sui generis. A sua envolvência tem uma magia especial, a sua participação é ampla, percorre as várias freguesias e municípios, a proximidade com os agentes políticos é maior e, muitas vezes, somos um deles a fazer campanha, a falar com as pessoas e a sentir a democracia na sua plenitude.
Nas eleições autárquicas, as preocupações são diferentes, os eleitores valorizam fatores que são distintos dos de outro tipo de eleições, segundo o “Barómetro Poder Local”, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, o desempenho que a Câmara Municipal teve ao longo do mandato e as caraterísticas pessoais dos candidatos são as variáveis mais valorizadas pelos eleitores, além do comportamento ético.
A renovação da confiança nos autarcas do Partido Socialista deveu-se a muitos fatores é certo, mas, principalmente, a um trabalho intenso enquanto agentes políticos transformadores, que num contexto adverso, souberam manter-se próximos das suas populações e assim consolidar as suas votações autárquicas e até, em alguns casos, superá-las. Independentemente da vitória ou da derrota, as estruturas locais desenvolveram um trabalho hercúleo no sentido de apresentar os melhores candidatos, as melhores propostas e o melhor resultado.
44,95% é, sem dúvida, um excelente resultado, se compararmos com os restantes distritos do país. Estatísticas à parte, deve ser encarada com regozijo e orgulho. Mas, indubitavelmente, é justo perceber que as eleições autárquicas em Vila Real são fenómenos altamente personalizados, que se devem, acima de tudo, aos agentes locais, militantes e independentes dos 13 municípios (e não 14!) que ganharam e que perderam, mas que tiveram a coragem de vestir a camisola do PS e ir a jogo.




