A democracia interna não vive de atalhos, vive da participação, da pluralidade e da capacidade de cada militante reconhecer que o futuro se constrói com debate, com transparência e com a dignidade de quem assume o seu lugar na história do Partido. Citando um ilustre camarada, numa das muitas reuniões que realizei pelo distrito, ser candidato a qualquer órgão do Partido Socialista é e será sempre uma honra!
Os números deste ato eleitoral ajudam também a compreender o momento que atravessamos. Os cerca de 90% obtidos quando existe apenas um candidato são, naturalmente, distintos dos cerca de 75% alcançados quando há dois candidatos em disputa. São realidades diferentes, com dinâmicas próprias, e ambas revelam algo essencial quando os militantes têm escolha e participam: o PS fortalece‑se. Em Vila Real, o resultado alcançado é mais do que um número, é um sinal. Um sinal de que existe espaço para alternativas, para renovação e para um PS mais atento às suas bases, mais permeável às suas inquietações e mais disponível para se transformar.
Os mais críticos dirão que foi uma abada, uma “abadazinha”, os mais prudentes talvez dirão que foi um resultado honroso ou mesmo respeitável. Os mais favoráveis dirão que foi uma vitória, pois face às circunstâncias do momento, todas as fases desta candidatura foram pequenas/grandes batalhas ganhas.
Como me disse um velho amigo, com a sabedoria de quem já muito viu: “há tempos para divergir e tempos para convergir”. Divergimos quando foi necessário, agora é tempo de convergir.
É por isso que deixo uma palavra sincera de parabéns ao meu adversário, que terá novamente nas mãos o destino da Federação Distrital do PS de Vila Real. Reconhecer a vitória do outro é um gesto de maturidade política, fazê-lo com serenidade é um gesto de respeito pelo Partido e pelos seus militantes. A democracia interna exige vencedores e vencidos, mas exige sobretudo grandeza e essa grandeza mede‑se na forma como cada um sabe ocupar o seu lugar.
Sinto um orgulho profundo por ter proporcionado aos militantes de base uma alternativa. Uma alternativa leal, construtiva e necessária. Não contra ninguém, mas a favor de algo maior, a convicção de que o PS só cresce quando acolhe todas as vozes, quando reconhece que a diversidade interna é uma força e quando entende que a unidade não se impõe, constrói‑se.
A esperança que muitos militantes demonstraram ao longo deste processo nas conversas, nas secções, nos gestos de apoio é talvez o sinal mais luminoso que levamos daqui. Prova que algo bom pode acontecer num futuro próximo. Prova que o PS continua vivo, atento e disponível para se renovar sempre que necessário. Porque o Partido Socialista não tem donos: tem militantes! E são eles o seu grande património, nunca o esqueçamos.
“Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.” Friedrich Nietzsche.




