Vejo cada vez menos televisão, acho que temos noticiários muito longos, há excesso de comentário televisivo, excesso de diretos intermináveis enfadonhos, demasiado espetáculo à volta da informação, uma repetição fastidiosa de notícias, que leva ao enfado e se torna insuportável, uma comunicação social, às vezes, mais preocupada com o entretenimento e seus derivados do que com a verdadeira informação ou em passar bons conteúdos informativos. E já nem falo na máquina de triturar vidas que se tornou alguma comunicação social despudorada e irresponsável, e quantas vidas não estão indelevelmente marcadas e enlameadas porque tiveram o azar de cair nas ignóbeis malhas de alguma comunicação social, que explora os escândalos até ao tutano, uma comunicação social que parecem vampiros em busca de sangue a todo o custo e que só se alimenta de sangue, pouco se importando com as consequências que as pessoas visadas sofrerão, muitas vezes, para o resto da vida.
Reconheço o valor e a importância da comunicação social para a existência de uma sociedade livre e bem informada e para a consolidação da democracia, para a criação de um povo mais culto e esclarecido, mas não uma comunicação social assim, que metralha a toda a hora com informação e comentário, um bombardeio informativo que nos leva para um labirinto onde ficamos perdidos sobre o que é informação e o que não é, que busca e estimula a confrontação e a polémica a toda a hora, por vezes mais artificial do que real, que privilegia o estardalhaço, que espreme os temas e as notícias até à exaustão, que se aproveita das frases imprudentes, dos lapsos e das falhas, que vive de boatos e rumores, enfim, uma comunicação social que promove o falatório e o ruído, que exerce pressão, uma comunicação social que cria confusão, que perturba e desestabiliza. Uma comunicação social que parece mais “descomunicação” social.
Se não mudar de rumo e de cultura, penso que vai começar a crescer o divórcio entre o cidadão e a comunicação social. É cada vez mais notório o fenómeno de fadiga informativa nos tempos atuais, não há capacidade humana para esta avalanche de informação e dados que nos é servida atualmente, numa velocidade vertiginosa, com a agravante de que não temos tempo para assimilar o conhecimento. E, muitas vezes, muito mal servi





