A caça

Aí está ela, a caça: sedutora, vício pior que a mãe dos vícios, ladra de sonos, senhora dos instintos primitivos. Mas também libertadora, oxigenante, emotiva, elo resistente da nossa ruralidade original, em combate com a frieza urbana, essa moléstia silenciosa que medra na costela cosmopolita que inventamos, à revelia de Adão. Perde-se no tempo das […]

Aí está ela, a caça: sedutora, vício pior que a mãe dos vícios, ladra de sonos, senhora dos instintos primitivos. Mas também libertadora, oxigenante, emotiva, elo resistente da nossa ruralidade original, em combate com a frieza urbana, essa moléstia silenciosa que medra na costela cosmopolita que inventamos, à revelia de Adão. Perde-se no tempo das questões irresolúveis e nos meandros dos tratados psicológicos, essa razão que, todos os anos, leva gente pacífica a romper serras e valados, à cata de perdizes e coelhos, com o único intuito de os eliminar. Do pé rapado ao catedrático, é vício que não conhece hierarquia. Torga perdia-se por ela, ele, poeta sentimental de quem ninguém suspeitaria que as mãos

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