Quinta-feira, 29 de Setembro de 2022
Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

A capital e os outros

“A economia do norte é a única com futuro”

Este título do Expresso de 26 de janeiro, atraiu a nossa atenção por coincidir com aquilo que pensamos e vimos afirmando desde há muito. Recordo, que há muito tempo se dizia que enquanto Lisboa se divertia, o Porto, trabalhava.

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Era uma altura em que a indústria tinha um enorme peso na economia do país, sendo toda a zona de Entre Douro e Minho, a sede das grandes indústrias de confeções, calçado, mobiliário, e por aí adiante.

Atualmente, a dicotomia capital, resto do país ainda se acentuou mais, levando Ludgero Marques, que foi Presidente da Associação Empresarial de Portugal, a afirmar que o Norte é mais forte, quando o país é fraco, ou como acentua Daniel Bessa, a economia do Norte é a única do país que, a prazo, tem futuro.

Esta relevância que é dada ao Norte, suscita-nos uma pergunta simples, num momento em que o tema da Regionalização parece querer desapontar de novo: Mas afinal o que é o Norte, em termos políticos, em termos de divisão administrativa do país e num momento em que o Governo decidiu, em fim de mandato, proceder a Descentralização de Competências para as autarquias? A resposta é simples. O Norte, não existe como Região Administrativa.

Fará sentido então colocar outra questão: Quando é que os Centralistas da Capital decidem autorizar a criação das Regiões Administrativas, previstas na Constituição, para que em bom rigor se possa falar na Região do Norte, a tal que é o motor da economia do país?

A menos de um ano de novas eleições nacionais para a Assembleia da República, parece ser adequado pensar no assunto, até porque, tanto quanto nos podemos aperceber, a grande maioria das autarquias locais, a quem se destinava este pacote de descentralização administrativa, não aceita a incumbência de serem empregados menores, dos Ministérios da Educação, da Saúde, ou como dizia Rui Moreira (presidente da câmara do Porto) ser Subdireção Regional dos Ministérios sediados em Lisboa.

Nós próprios, já o havíamos referido também noutras circunstâncias, por percebermos que não sendo transferidas competências políticas, de pouco valem as novas atribuições administrativas, ainda por cima com escassos recursos financeiros, de que todos se queixam.

Chegou, portanto, a hora do resto do país se afirmar, exigindo que lhe deem meios para operar o seu próprio desenvolvimento.

Quando, há vinte anos, o país foi chamado a pronunciar-se em Referendo sob o tema da Regionalização, muitos se deixaram confundir pensando tratar-se de uma forma de separatismo, que não tem cabimento num país com nove séculos de história em comum.

Do que se trata apenas é de permitir que a organização política e administrativa do território se faça por forma a que os recursos que existem possam chegar a todos e com o contributo de todos, acabando de vez com o citado slogan do Norte a trabalhar, enquanto Lisboa se diverte.

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