Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2022
Orlando Rodrigues
Presidente IPB

A discreta revolução das qualificações

A transformação em curso nos mercados de trabalho está a mudar, muito rapidamente, a natureza do trabalho e as competências necessárias para o sucesso no desempenho das profissões existentes ou futuras.

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Muitas profissões estão a desaparecer, enquanto outras são criadas. Segundo a OCDE, quatro em cada 10 novos empregos criados entre 2006 e 2016 foram gerados em setores intensivos em tecnologias digitais, ao mesmo tempo que formas não standard de emprego aumentam. Um terço da força de trabalho nos países da OCDE é em part-time, temporária ou autoemprego.

A qualificação e requalificação das pessoas torna-se, assim, indispensável para o ajustamento dos trabalhadores às novas exigências das profissões. Porém, a formação profissional clássica, assente em modelos rígidos e tecnologias datadas (a que se assiste muito frequente na área das competências digitais), revela-se, por vezes, ineficaz em dotar os profissionais das competências que os novos empregos requerem, gerando frustração e desperdício de recursos. Simultaneamente, algumas competências adquiridas pelos trabalhadores na prática, ainda que de grande utilidade, esvaziam-se de reconhecimento e de enquadramento.

Nas empresas de reduzida dimensão, e sem capacidade interna de inovação, estes desafios são ainda mais complexos. Muitas não acompanham a inovação e continuam a refugiar-se em soluções tecnológicas obsoletas que só se mantêm competitivas na dependência de mão de obra de baixa remuneração e pouco qualificada. É, infelizmente, frequente ouvir reclamar da falta de pessoal para profissões básicas, quando, na verdade, a falha estará do lado do empregador que não soube modernizar as suas tecnologias e processos, criando empregos de boa qualidade, maior produtividade e melhor remuneração.

Na verdade, a curva do desenvolvimento tecnológico tem crescido nos últimos anos mais rapidamente do que a curva das qualificações, gerando um acentuado défice de competências. Inovação e qualificação são, pois, as únicas vias possíveis para as empresas crescerem e as regiões se desenvolverem. E a qualificação significa frequentemente “requalificação”, ou seja, atualizar, de forma contínua, ao longo da vida, qualificações antigas com novas competências. Cabe, neste novo contexto, um papel renovado para as Instituições de Ensino Superior (IES).

Estas instituições são hoje desafiadas a desenvolver ofertas mais flexíveis, para aumentar as suas capacidades de intervenção na qualificação e requalificação de adultos e para permitir o desenvolvimento de um leque mais ajustado de competências, incluindo as sociais, emocionais e multiculturais. Sem IES empenhadas não é possível desenvolver ecossistemas de inovação e crescimento empresarial. E sem empresas inovadoras não se desenvolvem IES transformadoras. É neste posicionamento que o IPB se pretende desenvolver: trabalhando com as empresas na qualificação e requalificação dos seus ativos, gerando um verdadeiro ecossistema regional de cocriação e de inovação.

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