Sexta-feira, 26 de Junho de 2026
Ricardo Almeida
Ricardo Almeida
Professor e Empreendedor Social

A “integração” como palavra do ano

Portugal é considerado um país de imigração recente uma vez que os fluxos de entrada, em grande escala, só se desenvolveram no final do século XX

O arco da história revela que a evolução do saldo migratório coincide, de forma interessante, com os níveis de desemprego e de desenvolvimento económico internos. O acesso a fundos estruturais proporcionado pelo projeto de integração europeia, nas décadas de 80 e 90, período de notório crescimento económico, no qual o investimento na construção de rodovias, pontes e outras infra-estruturas foram determinantes para alimentar e atrair trabalhadores não qualificados, muitos deles em situação irregular, originários, na sua grande maioria, dos PALOP.

No virar do século XXI, a segunda vaga de imigração irregular em Portugal veio inesperadamente da Europa de Leste, sobretudo da Ucrânia e Moldova, com base em redes internacionais de trabalho há muito estabelecidas no contexto europeu, fazendo face à escassez de mão-de-obra em setores como o turismo, a hotelaria e a construção civil, sem esquecer a construção de infra-estruturas para o Campeonato Europeu de Futebol de 2004, que só foram exequíveis com um aumento significativo de imigrantes em circunstâncias ilegais e precárias.

O contraste foi brutal, o período da crise da dívida soberana de 2011 foi seguido por um declínio significativo da comunidade imigrante, resultado da falta de atratividade de Portugal para os fluxos de entrada, que foi também evidente durante a crise de refugiados de 2015. Apenas no ano de 2017 este cenário foi revertido com a entrada, principalmente, de cidadãos estrangeiros brasileiros, cabo-verdianos e romenos, impulsionados pelo crescimento do turismo.

Atualmente, assistimos a uma manipulação estranha e errática do tema da imigração. A politização da imigração em Portugal é inaceitável até porque o Estado Português sempre adotou uma visão utilitarista da imigração, sem pudor às ilegalidades e a reboque de regularizações periódicas e tardias. Pese embora esta abordagem, Portugal também foi capaz de integrar, primeiramente com programas de habitação pública e, posteriormente, com uma abordagem multicultural da reforma da lei da nacionalidade. Mas sempre, e desde sempre, o nosso país foi uma nação que integra, quer nacionais quer estrangeiros.

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A liderança de um país não se compadece com a agenda de partidos políticos sectários. O que se exige ao Governo é a apresentação ao país, de uma forma clara e inequívoca, do seu modelo de integração de imigrantes, seja ele mais assimilacionista ou multicultural, mas com a obrigação de o assumir e comunicar aos portugueses, porque o segregacionismo não é nem o caminho nem a resposta.

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