Sábado, 27 de Novembro de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

A passagem da Páscoa

  E assim se passou mais uma Páscoa. Diferente das de outros anos, em que lembrámos, aos crentes e mesmo aos não crentes, a Morte e a Ressurreição de Cristo. O termo Páscoa significa Passagem. Recorda a saída dos Judeus do Egito, onde estiveram emigrados, a sua travessia a pé do Mar Vermelho, para se […]

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E assim se passou mais uma Páscoa. Diferente das de outros anos, em que lembrámos, aos crentes e mesmo aos não crentes, a Morte e a Ressurreição de Cristo. O termo Páscoa significa Passagem. Recorda a saída dos Judeus do Egito, onde estiveram emigrados, a sua travessia a pé do Mar Vermelho, para se dirigirem à Terra Prometida, do outro lado do deserto do Sinai, conforme as Sagradas Escrituras nos recordam. 

Pareceu-nos adequado recordar, este período que estamos a viver, como a passagem, de um período anterior ao COVID, para uma nova era da humanidade, que não sabemos bem em que se traduzirá. Confiemos, porém, em quem?

Em primeiro lugar nos cientistas, que, a nosso ver, foram apanhados de surpresa e enfrentam dificuldades para encontrar o antídoto para a doença que vai atingindo cada vez maior número de pessoas em todo o mundo, não poupando nenhum continente nem nenhuma raça. Mas, da comunidade de cientistas, esperamos também a vacina que nos proteja atempadamente, como sucede com tantas outras moléstias. 

Na verdade, diremos que há uma angústia que nos atinge a todos, porém, será muito maior para cientistas, químicos e tantos outros, confrontados com as dificuldades para encontrar a fármaco que possa por termo a esta epidemia. 

Como devem lamentar-se igualmente todos os profissionais de saúde, impotentes para minimizar ou pôr termo ao sofrimento humano. 

Foi perturbante e inesperada a semana que nos foi dado viver. Admitamos que não será período que tenhamos como privilégio recordar. Porém, talvez se possam tirar algumas ilações: Uma delas, é a da fragilidade humana, tantas vezes recordada pela doutrina do Evangelho, para quem os pobres e os mais carenciados são sempre um alvo de atenção.  Também a lição de que ninguém se consegue salvar sozinho.

As medidas de contenção que vêm sendo sugeridas, só surtem efeito se a totalidade, repetimos, se todos nos obrigarmos a respeitá-las. Porque, conforme se tem verificado, basta que um qualquer cidadão seja menos cumpridor, para o caos se espalhar.

O que nos leva a uma última reflexão.

Páscoa significa passagem de um lugar para o outro, de um tempo para outro. Este tempo em que fomos visitados todos, por este “ilustre” desconhecido, neste ano de 2020, ficará como um ano de má memória. Que seja, porém, o começo de um tempo, assim o desejamos, de maior solidariedade e de menor diferenciação e de injustiça social.

Valores de que, convenhamos, andavam um pouco esquecidos.

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