Sexta-feira, 13 de Março de 2026
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A violência na sociedade atual

Acompanho com preocupação, como certamente muitos o farão, a violência na sociedade atual.

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Sempre existiu violência na sociedade. Lembro sempre aos mais velhos, que proclamam que o mundo está cada vez pior e que lá atrás era o paraíso, que, há 40 anos atrás, muitas chegas de bois acabavam em pancadaria entre aldeias e muitas festas serviam para ajustes de contas entre famílias ou grupos beligerantes, com várias cabeças rachadas, não havia café ou discoteca onde não acontecessem zaragatas e sarrafuscas, e já nem lembro as várias mortes resultantes de ação criminosa. A violência social não é de agora. O problema atual é que vivemos numa sociedade mediatizada e polarizada, que incita e favorece a propagação da violência, e temos meios poderosos.

Sou levado a pensar que as pessoas terão motivos de vária ordem para se revoltarem e se tornarem mais agressivas. Mas, para mim, a violência, muita sem sentido, é sintoma de algum mal-estar interior. E não só as condições económicas que a justificam. Aponto outras causas: tédio face ao individualismo e ao hedonismo que vigora no nosso estilo de vida, que tem arrastado muitos jovens para o mar da indiferença angustiante e do sem sentido da vida; diluição da instituição familiar e ausência do acompanhamento e da educação sólida que ela veiculava; má integração e socialização; educação deficiente dos sistemas e conteúdos de ensino, excessivamente técnicos e intelectuais, com pouca preocupação pela moral e pela ética e pelas grandes inquietações humanas; culto da violência e da agressividade e busca incessante de sensações novas, para se colmatar o marasmo e o vazio da vida; desnorte de valores; falta de reconhecimento e busca de glória e de projeção a qualquer custo.

Depois temos um “problema cultural”. A nossa educação e cultura ensinam mais para «ter» do que para «ser», um ter revestido de narcisismo, exibicionismo e poder. Armamo-nos para a competitividade e para a rivalidade. Educamos mais para a afronta e para a violência do que para a convivência saudável, a reconciliação, o diálogo, a mansidão e a paz. Impera um modelo de sociedade que facilmente empobrece as pessoas, lhes retira bondade e generosidade e lhes provoca um vazio de sentido. Não se educam os afetos do coração. Somos uma sociedade que exponencialmente e repentinamente cresceu em bem-estar, progresso e abundância, mas não cresceu em solidariedade, em respeito, em gratidão, em responsabilidade e em preocupação pelos outros.

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