Já fui um grande leitor de jornais, mas está cada vez mais difícil continuar a ler jornais nacionais. Os telejornais estão cada vez mais repetitivos, insuportáveis e cansativos. Percebe-se sempre o mesmo esquema: na segunda-feira manda-se o osso aos cães e depois é toda a semana a roer o osso, mesmo quando já não há muito para informar. Três ou quatro assuntos para encher os horários e páginas dos jornais, dar tema aos comentadores, até o tema cansar e dar lugar a outra calinada ou moscambilha que vem à luz do dia. Mas isto já cansa, e penso que esta forma de gerir a informação tem os dias contados. Salva-se a Rádio.
Sabemos que alguma comunicação social está a passar dificuldades e que não é fácil sobreviver com a concorrência das redes sociais, mas isso não pode ser justificação para se romper com a ética e a seriedade, procurando-se vender a qualquer custo, sem regras e sem critérios, e sobretudo à custa de arrasar a reputação de pessoas e instituições. E alguma comunicação social atual não é séria, está polarizada, serve interesses, toma partido por facões. Informa o que quer, quando quer e de quem quer. Não tem isenção e imparcialidade, é manhosa, e quando assim acontece está ferida de morte.
Custa ver a comunicação social a ir por estes caminhos, porque uma boa comunicação social faz falta à democracia. Já em tempos o Papa Francisco fazia um juízo severo à atuação e aos critérios da comunicação social. Começava por sublinhar a sua importância: “Têm uma responsabilidade grande, têm a possibilidade de formar opinião, são bons para construir a sociedade, edificar, fazer bem, fraternizar, educar e fazer pensar, são positivos». Mas infelizmente deixam-se levar por quatro tentações ou vícios, que o Papa enumera: a calúnia (só falar mal e espalhar erradamente mentiras e falsidades), a difamação (criar más famas às pessoas por factos que já passaram, chafurdar e escarafunchar no passado das pessoas, às vezes até de forma persecutória), a desinformação (alimentar as meias-verdades, só dizer uma parte da verdade e esquecer a outra, não se permitindo às pessoas ajuizar devidamente diante da verdade completa, vergando-se a opinião pública numa certa direção), a enfermidade da coprofagia (só informar o que é escandaloso e polémico, comunicar só as coisas feias, «ainda que sejam verdade»). E arremata o Papa: “Os meios de comunicação social devem ser limpos e transparentes”.




