Vamos compreender, em suma, que o nosso conceito de desenvolvimento é que era subdesenvolvido». E noutra página do mesmo livro, reafirma: «Somos levados a recolocar o problema do desenvolvimento rejeitando a noção tão grosseira e tão bárbara que reinou durante muito tempo, quando se julgava que a taxa de crescimento industrial significava o desenvolvimento económico e que o desenvolvimento económico significava o desenvolvimento humano, moral, mental, cultural, etc, quando a verdade é que, nas nossas civilizações ditas desenvolvidas, há um atroz subdesenvolvimento cultural, mental, moral e humano».
Nas últimas décadas impôs-se nas nossas sociedades a narrativa materialista na compreensão do homem e da vida. Muito por força do domínio da razão, da ciência, do desenvolvimento industrial e económico que brotou de muitas descobertas e avanços tecnológicos, do predomínio de ideologias que têm uma perspetiva meramente materialista da vida. Os valores materiais e seus ídolos (o sucesso, o êxito, o lucro a qualquer custo, a ostentação, a produtividade, o narcisismo, o hedonismo, a rivalidade, etc.) tornaram-se a cartilha do estilo de vida contemporâneo. Nas palavras do Papa Leão XIV, passámos a viver “num mundo no qual perder parece ser uma fraqueza e no qual se vive obcecado por ter e possuir.” O Dr. Manuel Sans Segarra, com quem já se devem ter cruzado numa conferência ou numa rede social, aponta que vivemos o tempo do egocentrismo materialista, que nos tem arrastado para um grande vazio existencial e uma crise existencial profunda, e a esquecer a dimensão mais profunda do ser humano: a espiritualidade.
O ser humano é um ser profundamente espiritual, mas hoje vivemos num tempo em que andamos desconectados com a nossa dimensão espiritual. Não vivemos a partir de dentro, da nossa interioridade, mas vivemos sempre a partir de fora, na reação e resposta a estímulos e a exigir sempre novos incentivos para ter sempre novas doses de satisfação e prazer. Esta é a prisão que o materialismo nos oferece. Sem o prazer e a satisfação imediata fica o vazio. Dois sintomas deste vazio: desorientação e falta de sentido para a vida e imaturidade emocional, moral e espiritual.




