Segunda-feira, 15 de Agosto de 2022
Barroso da Fonte
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Adriano Moreira – Único Português respeitado em 2 regimes antagónicos

A direção da Academia de Letras de Trás-os-Montes, da qual Adriano Moreira é o 1º membro honorário, fez-me chegar, um oportuno artigo biográfico sobre a atribuição de mais um título, com o «Grau de Doutor Honoris Causa», ao mais medalhado professor português vivo e com tão proveta idade.

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Desta vez foi o Instituto Universitário Militar, na pessoa do Comandante Tenente-General Martins Pereira que fez a entrega e produziu a alocução correspondente a mais esta distinção que teve a particularidade de ser o primeiro doutoramento «honoris Causa em Ciências Militares» atribuído por este Instituto Universitário. Coube ao Prof. Doutor José Fontes, Catedrático da Academia Militar, a oração laudatória. Chamou ao homenageado, «o mestre da Lucidez». Ao ato presidiu o Chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas e da Guarda Nacional Republicana, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Além de muitas outras patentes da hierarquia militar e civil esteve presente, cerca de meia centena de familiares do mais mediático cidadão português e, certamente aquele que será o primeiro a ultrapassar o século de vida ativa e no uso pleno das suas faculdades.
Tive a sorte de conhecê-lo, pessoalmente, em Bragança, no dia da inauguração da sua biblioteca e de eu ser seu confrade, tempos depois, cooutorgante da Academia de Letras de Trás-os-Montes.

Adriano Moreira nasceu em Grijó, Macedo de Cavaleiros, em 6 de novembro de 1922. Eu nasci, em Montalegre, 17 anos depois. Desde que cheguei à cidade e abri os olhos à vida, mesmo sem conhecer, pessoalmente, esse gigante da odisseia Portuguesa, fixei o seu nome, como os de Miguel Torga, Carvalho Araújo, Abade de Baçal, Guerra Junqueiro, Trindade Coelho, João Rodrigues Cabrilho e de tantos e tão valorosos transmontanos que souberam preservar os nossos princípios básicos.

Cresci e fui à guerra, sem perder as raízes transmontanas. Os nossos princípios juntaram-nos nas casas regionais, no orgulho dos usos e costumes, na solidariedade e até, nos incêndios que nos reduzem tudo a cinzas, num abrir e fechar de olhos.
Mesmo segregados pelo poder político, não perdemos o senso, a fé e o orgulho de pertencermos à mais distante província do Terreiro do Paço.

Em setembro, a Casa Regional de Lisboa, em nome desta «garra transmontana» que nos distingue, vai mostrar a grandeza desta saga que nos aproxima e nos reconhece «gente sã, em corpo são», desde a fundação da nacionalidade portuguesa.

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