Desta vez foi o Instituto Universitário Militar, na pessoa do Comandante Tenente-General Martins Pereira que fez a entrega e produziu a alocução correspondente a mais esta distinção que teve a particularidade de ser o primeiro doutoramento «honoris Causa em Ciências Militares» atribuído por este Instituto Universitário. Coube ao Prof. Doutor José Fontes, Catedrático da Academia Militar, a oração laudatória. Chamou ao homenageado, «o mestre da Lucidez». Ao ato presidiu o Chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas e da Guarda Nacional Republicana, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Além de muitas outras patentes da hierarquia militar e civil esteve presente, cerca de meia centena de familiares do mais mediático cidadão português e, certamente aquele que será o primeiro a ultrapassar o século de vida ativa e no uso pleno das suas faculdades.
Tive a sorte de conhecê-lo, pessoalmente, em Bragança, no dia da inauguração da sua biblioteca e de eu ser seu confrade, tempos depois, cooutorgante da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
Adriano Moreira nasceu em Grijó, Macedo de Cavaleiros, em 6 de novembro de 1922. Eu nasci, em Montalegre, 17 anos depois. Desde que cheguei à cidade e abri os olhos à vida, mesmo sem conhecer, pessoalmente, esse gigante da odisseia Portuguesa, fixei o seu nome, como os de Miguel Torga, Carvalho Araújo, Abade de Baçal, Guerra Junqueiro, Trindade Coelho, João Rodrigues Cabrilho e de tantos e tão valorosos transmontanos que souberam preservar os nossos princípios básicos.
Cresci e fui à guerra, sem perder as raízes transmontanas. Os nossos princípios juntaram-nos nas casas regionais, no orgulho dos usos e costumes, na solidariedade e até, nos incêndios que nos reduzem tudo a cinzas, num abrir e fechar de olhos.
Mesmo segregados pelo poder político, não perdemos o senso, a fé e o orgulho de pertencermos à mais distante província do Terreiro do Paço.
Em setembro, a Casa Regional de Lisboa, em nome desta «garra transmontana» que nos distingue, vai mostrar a grandeza desta saga que nos aproxima e nos reconhece «gente sã, em corpo são», desde a fundação da nacionalidade portuguesa.





