Joaquim Pereira de Matos foi o mentor de tão digno gesto de amor à música e à terra. E, hoje, as suas palavras ainda são alimentadas de sonhos e de esperanças porque quem ama verdadeiramente, nunca desiste das coisas belas, dos apelos fascinantes do coração.
E então, falou com um dos últimos MESTRES do Coro Paroquial de Mateus – Alexandre Fraguito – e com o entusiasmo que lhe é peculiar agarrou tão exaltante tarefa de trabalhar uma missa grandiosa de solenidade e inspiração libertadora. E disse: “Perante o que me pede, Senhor Matos, não posso dizer que não, é uma honra participar.”
Foi emocionante a forma como todos se empenharam nos cânticos, melodias, devotados na celebração ardente de quem ama a sua terra e nela se espraia em ondas vibrantes de felicidade…
E a missa foi perfumada pelas vozes que encheram a igreja e como hóstia que santifica, também os corações se preencheram em deleite e pura alegria, em regalo de imagens e de sons.
Belo trabalho do professor Alexandre Fraguito e assinalável entrega de todos os que quiseram participar nesta grande festa da comunhão irmanada no espírito da alegria que abraça o povo de Mateus que não desiste de cantar porque a música é uma das grandes glórias desta gente abençoada… é um dos alimentos tonificantes da vida.
Também eu quis participar, cantando e tocando Flautas… e eu me redescobri no prazer que senti e que ainda o tenho pejado na alma que toca e ressoa.
E um anjo de asas nevadas, de formas tão finas e puras, de mãos tão delicadas, descerra da sua voz cândida e canta: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade!… Glória ao povo de Mateus nesta quadra de amor, perdão e fraternidade…Glória a todos os cantores que já partiram na nave segura da salvação e que pelo canto terão chegado ao reino etéreo da catedral dos sons.
E o céu iluminado desce até ao coração do povo, um céu que reaviva de vez em quando na herança majestosa e sagrada dos nossos antepassados.
No final da atuação, sentiu-se o conforto de missão cumprida e os olhares eram o espelho da emoção e das vibrações aquecidas pelos aplausos da assistência que encheu por completo a sumptuosa Igreja de Mateus.
A festa prolongou-se, agora num restaurante bem perto dali com um opíparo almoço, seguido de músicas de ocasião e discursos apaixonados de improviso ao amor à terra… promessas para novos desafios.
O pároco da freguesia, responsável espiritual, doutor da Igreja de Mateus, acompanhou e apoiou os coralistas até ao último momento. Bem-haja, Reverendo Padre Ricardo.


