Quinta-feira, 25 de Junho de 2026
Luís Tão
Luís Tão
Empresário

Celebrar a Democracia

As datas comemorativas, são dias com o propósito de homenagear, relembrar, festejar ou consciencializar. São ações de memória inerentes ao ser humano.

Na esfera pública, não há país que, no processo de construção de sua identidade nacional, não promova os acontecimentos mais relevantes a serem lembrados às gerações futuras, seja através do registo de sua história, seja na edificação de monumentos, seja na instituição de feriados.

Comemorar, significa refletir criticamente sobre o passado, que é sempre fonte de infinitas lições para as atuais e futuras gerações. Quando se celebra um determinado facto ou acontecimento, o que está em causa não é apenas o passado de uma sociedade, mas a maneira como essa mesma sociedade se quer constituir no presente e se projetar no futuro.

25 de abril de 1974, 25 de abril de 2025, 51 anos passaram. É nesta data que o País exalta o que conquistou, a Liberdade.

Portugal está hoje melhor que há 51 anos. Mas a pouca produtividade da economia, a precariedade no trabalho e o definhamento dos serviços públicos colocam o país numa posição de atraso relativamente a outros congéneres europeus.

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Portugal comemora os 51 anos da democracia, liberdade de imprensa, eleições livres, direito à saúde, à greve, ao ensino, muitas foram as conquistas da revolução. Mas todos os anos, nas celebrações do 25 de Abril, discute-se aquilo que ainda falta cumprir.

O PIB per capita do país continua a estar abaixo da média europeia. Em 2023, segundo as estimativas do Eurostat, Portugal ascendeu à 18.ª posição entre os Estados-membros da União Europeia, subindo dois lugares face ao ano anterior e ultrapassando a Polónia e a Estónia. No entanto, continua a uma distância de 17% face à média comunitária.

E nós por cá? No distrito e no concelho.

Realço dois indicadores onde temos um longo caminho pela frente, a população residente e o seu índice de envelhecimento (desertificação) e a pobreza.

Desde 2011, até 2023, a taxa de crescimento da população, no concelho e no distrito é negativa, ou seja, estamos a perder população.

O índice de envelhecimento, o número de idosos por 100 jovens, é muito elevado.
Estes dois fatores, conjugados com a falta de políticas locais e nacionais que os combatam, levam a que devemos olhar para o futuro com muita preocupação.

O último indicador que realço é a pobreza.

O risco de pobreza e exclusão social, é elevadíssimo, 19,7%.

A população sem capacidade para pagar uma semana de férias por ano fora de casa é de 35,2%.

A população sem capacidade para pagar uma despesa inesperada é de 28,7%.

A população sem capacidade para ter uma refeição de carne ou peixe de dois em dois dias é de 2,5%.

São números chocantes.

É fundamental que estejamos atentos ao horizonte de possibilidades que a Liberdade nos dá, temos de continuar a valorizá-la e a respeitá-la.

Hoje, mais de metade da população residente em Portugal nasceu depois de 25 de Abril de 74.

Significa isto que, para quase seis milhões de portugueses, a liberdade é um bem adquirido, para lhe darmos uso.

Como sabemos, “Direito não cuidado corre o risco de ser direito retirado”.

Viva o 25 de Abril e tudo o que esta data representa.

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