Na esfera pública, não há país que, no processo de construção de sua identidade nacional, não promova os acontecimentos mais relevantes a serem lembrados às gerações futuras, seja através do registo de sua história, seja na edificação de monumentos, seja na instituição de feriados.
Comemorar, significa refletir criticamente sobre o passado, que é sempre fonte de infinitas lições para as atuais e futuras gerações. Quando se celebra um determinado facto ou acontecimento, o que está em causa não é apenas o passado de uma sociedade, mas a maneira como essa mesma sociedade se quer constituir no presente e se projetar no futuro.
25 de abril de 1974, 25 de abril de 2025, 51 anos passaram. É nesta data que o País exalta o que conquistou, a Liberdade.
Portugal está hoje melhor que há 51 anos. Mas a pouca produtividade da economia, a precariedade no trabalho e o definhamento dos serviços públicos colocam o país numa posição de atraso relativamente a outros congéneres europeus.
Portugal comemora os 51 anos da democracia, liberdade de imprensa, eleições livres, direito à saúde, à greve, ao ensino, muitas foram as conquistas da revolução. Mas todos os anos, nas celebrações do 25 de Abril, discute-se aquilo que ainda falta cumprir.
O PIB per capita do país continua a estar abaixo da média europeia. Em 2023, segundo as estimativas do Eurostat, Portugal ascendeu à 18.ª posição entre os Estados-membros da União Europeia, subindo dois lugares face ao ano anterior e ultrapassando a Polónia e a Estónia. No entanto, continua a uma distância de 17% face à média comunitária.
E nós por cá? No distrito e no concelho.
Realço dois indicadores onde temos um longo caminho pela frente, a população residente e o seu índice de envelhecimento (desertificação) e a pobreza.
Desde 2011, até 2023, a taxa de crescimento da população, no concelho e no distrito é negativa, ou seja, estamos a perder população.
O índice de envelhecimento, o número de idosos por 100 jovens, é muito elevado.
Estes dois fatores, conjugados com a falta de políticas locais e nacionais que os combatam, levam a que devemos olhar para o futuro com muita preocupação.
O último indicador que realço é a pobreza.
O risco de pobreza e exclusão social, é elevadíssimo, 19,7%.
A população sem capacidade para pagar uma semana de férias por ano fora de casa é de 35,2%.
A população sem capacidade para pagar uma despesa inesperada é de 28,7%.
A população sem capacidade para ter uma refeição de carne ou peixe de dois em dois dias é de 2,5%.
São números chocantes.
É fundamental que estejamos atentos ao horizonte de possibilidades que a Liberdade nos dá, temos de continuar a valorizá-la e a respeitá-la.
Hoje, mais de metade da população residente em Portugal nasceu depois de 25 de Abril de 74.
Significa isto que, para quase seis milhões de portugueses, a liberdade é um bem adquirido, para lhe darmos uso.
Como sabemos, “Direito não cuidado corre o risco de ser direito retirado”.
Viva o 25 de Abril e tudo o que esta data representa.






