Num ápice, quando o Governo PSD/CDS estava a ter uma performance e um desempenho considerado pela generalidade do eleitorado de “Bom”, tudo é posto em causa!
Portugal enfrenta a possibilidade de uma terceira eleição legislativa em três anos.
Pensemos no seguinte: o prazo de vigência das últimas quatro legislaturas tem vindo a diminuir. XIII Legislatura (2015–2019) – 4 anos. XIV Legislatura (2019–2022) – 3 anos. XV Legislatura (2022–2024) – 2 anos. XVI Legislatura (2024–presente) – 1 ano (!)
Esta circunstância pode ser o caminho para tornar a nossa democracia, e o nosso estado, ingovernável.
Há uma consequência imediata de tudo o que está a acontecer.
Os partidos políticos, sobretudo os maiores do espectro político português (PSD e PS), estão, cada vez mais, a ter dificuldades de encontrar quadros técnicos nas suas fileiras ou na sociedade civil, que estejam disponíveis para se envolver e sujeitar a ser “atores políticos”, tal é a desconfiança generalizada nas instituições, associada a uma restringida motivação para abraçar a causa pública, em virtude da consequência que uma iniciativa desta natureza pode ter nas suas vidas profissionais, pessoais e familiares.
Este contexto vai, inevitavelmente, levar a um baixar de nível sobre a “qualidade” dos intervenientes políticos no futuro próximo, e a uma perda generalizada da mais-valia que representaria a entrada de gente com valor na política partidária. Aliás, o presente já nos antevê essa realidade.
Quem sairá beneficiado desta descredibilização dos políticos, do nivelar por baixo da política portuguesa? Penso que a resposta é óbvia: aqueles que estão fora do sistema, mas que nele querem participar.
Em 10 de março passado, fez um ano que se realizaram eleições legislativas, e que os portugueses deram a vitória à AD e a Luís Montenegro.
Vila Real, concelho e distrito, caracteriza-se por ser palco de um apoio quase incondicional ao PPD/PSD, pois mesmo nas eleições onde os socialistas alcançaram um resultado nacional bastante expressivo, os social-democratas preservaram um número bastante significativo de freguesias sobre o seu domínio.
Mesmo em determinadas conjunturas adversas, o eleitorado local tem mantido a respetiva fidelidade partidária. Acredito que hoje os vila-realenses irão manter essa confiança e apoio ao Governo da AD.
O PSD (e também o PS) precisa de se renovar e modernizar para atrair quadros competentes. O sucesso passa por criar um ambiente meritocrático e garantir transparência e abertura à sociedade, transmitindo ao mesmo tempo credibilidade.
Caso contrário, corremos o sério risco de ver crescer exponencialmente nas próximas eleições os partidos extremistas, populistas e radicais. E, em simultâneo, os portugueses acabarem por eleger para chefe de Estado alguém que não conhecem bem, mas que talvez por isso (por desconhecimento) os levem a acreditar nessa pessoa.
Mal vai uma democracia quando o critério para a escolha de quem queremos eleger para nos representar é o de “o menor dos males…”
Como canta Jorge Palma: “Ai, Portugal, Portugal / De que é que tu estás à espera? / Tens um pé numa galera / E outro no fundo do mar / Ai, Portugal, Portugal / Enquanto ficares à espera / Ninguém te pode ajudar”.




