A cidadania não se exerce só no momento em que votamos e elegemos os nossos representantes para os vários órgãos do poder, nacional ou local. Os momentos de análise e de debate da coisa pública nunca são excessivas. Há quem o receie. Mas isso, sim, é dispensável.
Vila Real tem andado nas bocas do mundo, na comunicação social de âmbito nacional, por boas razões. O ter sido eleita uma das 7 Maravilhas à Mesa foi uma delas. Num percurso bem interessante, por sinal, envolvendo produtos e algumas personalidades que acrescentam notoriedade à notoriedade de Vila Real.
Mas nas redes sociais tem sido objeto de algum destaque a temática do estacionamento na cidade. Por vezes, com argumentos que deixam de o ser para passar a ser outra coisa qualquer. E com pouco civismo. Excessos, dir-se-á. Teve, por isso, ainda mais mérito a decisão da Câmara Municipal de organizar na Semana Europeia da Mobilidade, um debate com base em dois estudos sobre os temas do estacionamento e do tráfego. Este ano, com o tema “Combina e move-te”. Não foi para partilhar o carro e facilitar o transporte. No caso, mais para “combinar” boas soluções para nos movermos melhor na nossa cidade. E a adesão foi boa.
Vila Real não é uma cidade fácil, disse-nos a Professora Ana Bastos Silva, da Universidade de Coimbra. Nós sabemos. E então quando se trata de mexer com o estabelecido, é um problema. Pois foram-nos apresentados dois estudos que merecem reflexão. Estive na apresentação do primeiro: – o do estacionamento; tive o cuidado de ler o segundo no site da Câmara. Retirei alguns pormenores. Vila Real está na média nacional na oferta de lugares por km2 – oferece cerca de 9 mil lugares e só 10 por cento são pagos, o que contraria um certo sentir quando se diz estar a cidade transformada num parque de estacionamento pago. Defendeu que se afete o espaço público a atividades mais relevantes que a passagem ou estacionamento do automóvel. O serviço do comércio e dos residentes estão entre essas. Defendeu a gratuitidade dos 1ºs minutos nas zonas dos parquímetros. Alertou para o excesso de estacionamento ilegal (100%) na zona do Parque de Campismo. Estranhei não ouvir apresentar uma proposta concreta de solução. Ora, atendendo à especificidade da zona era de esperar tal ousadia.
No estudo do tráfego, gostei de ver a proposta de um melhor aproveitamento do atual IP4 para desbloquear algumas zonas da cidade, como seja Montezelos, através de uma ligação por aí à zona de Nª Srª da Conceição. Já não direi o mesmo no que se refere à proposta de transformar o “eixo constituído pela R. Cidade de Orense/S. Santa Sofia/Pioledo/R. do Calvário/Av. da Europa numa distribuidora principal”. Será que o estudo não tem em atenção a inclinação da rua do Calvário e como se torna escorregadio aquele piso em determinadas condições meteorológicas? É que os carros, ali, por vezes, movem-se demais.




