Na realidade esta jovem, ainda imberbe, mobiliza a juventude e demonstra que todas as grandes causas atuais se resolvem globalmente e não por critérios de estrito nacionalismo, como escrevia um editor do jornal Expresso (7 Dez). Talvez por isso o secretário-geral das Nações Unidas tenha decidido promovê-la a estrela, convidando-a para discursar em Nova York e agora em Madrid.
Porém, para além das palavras que debita, de uma forma lúcida diga-se, o que é que fica? Ela própria o sabe quando reconhece que não é a viajar em barcos milionários que se resolve alguma coisa. Os que tão entusiasticamente a seguem o que é que pretendem: alterar o modo de vida? Mas como? Em que sentido? Aumentamos até ao impossível as tarifas dos aviões? Proibimos carros com motores de explosão? Fechamos aeroportos? Seremos vegans para impedir emissões de metano? Abandonamos já todos os combustíveis fósseis? Proibimos todos as queimadas em Africa?
Tudo isto é possível. Mas o efeito colateral, como escrevia o mesmo colunista, seria matar 2/3 da população do mundo e aceitar, implicitamente, que só se pode viver sem poluição e efeitos perversos no clima se formos muito menos habitantes.
No entanto, mesmo nós que vivemos aqui pelo Interior, ainda nos queixamos por sentir que a população está a diminuir drasticamente, e nós não queremos isso! Se o desenvolvimento trouxe consigo a poluição, que moral temos para pedir a alguém que deixe de poluir, se isso significar continuar a viver na miséria?
Todos nós, os que nos preocupamos com soluções razoáveis e possíveis, o que pretendemos saber é como poderemos fazer um processo de transição relativamente suave, mas rápido, para uma sociedade amiga do ambiente, mas onde a liberdade de pensamento, expressão e de ação não é eliminada. Mas sobre isto, a menina sueca não diz nada, porque não está preparada para isso, nem há receitas milagrosas que possam ser aplicadas do pé para a mão.
Não se estranha que líderes partidários, como os Verdes, o BE ou o PAN, para citar apenas as caras mais conhecidas, marquem presença nas manifestações, como aconteceu em Madrid, porque a esses convém-lhes a agitação e o caos político para se fazerem ouvir com os seus slogans costumeiros.
O que se lhes pede, a estes e até a quem promove (financeiramente) este movimento de massas, é que deixem a menina em paz.
Deixem os cientistas das alterações climáticas fazer o seu trabalho e recomende-se aos governantes e aos políticos sensatos que vão encontrando soluções orçamentais para financiar alguns dos custos mais evidentes que as políticas amigas do ambiente vão exigir a todos nós – em particular na florestação e preservação das florestas, na promoção de uma agricultura, silvicultura e pecuária viáveis. Ou seja, uma política de pequenos passos mas, adulta.



