Enfim, trata-se de uma cortesia ou simpatia que fica sempre bem.
Era bom também pedir a mesma empatia, compreensão e aceitação quando se trata da descoberta de vestígios arqueológicos e de outros patrimónios culturais que chocam diretamente com as obras públicas e privadas através da seguinte expressão: “Desculpe o incómodo mas o edifício/sítio em causa onde se prevê a construção do projeto futuro tem interesse público a sua preservação”, claro devidamente justificada pela presença de elementos arquitetónicos, pela singularidade ou pela exemplaridade que têm no panorama científico e cultural nacional e internacional. Será muito incómodo conseguirem articular novas construções e a preservação de espaços/construções/monumentos que detém de valor cultural e ambiental para a sociedade, digamos como no caso da Serra de Passos, em Mirandela?
Desculpe o incómodo se a Lei de Base de Proteção de Bens Culturais (Lei 107/20081 de 8 de setembro) obriga ao estudo, à intervenção, salvaguarda e preservação (quando aplicável e possível, se não for grande incómodo!) dos sítios arqueológicos, dos centros históricos e das arquiteturas antigas. A pensar num futuro energético mais limpo e num turismo sustentável existem também intervenções e projetos exagerados que causam o incómodo ao meio ambiente, à fauna e à flora de uma área, mas, por alguma razão, não incomoda quem manda projetar tal façanha. Há a visão de apostar no turismo da natureza com incómodos passadiços acrescentados à paisagem. Nestes casos pedem apenas para não incomodar os bichinhos enquanto constroem ruidosamente na paisagem serena, e com um aviso de plena absurda contradição: “Para seu deleite aproveite para conhecer os percursos naturais” (que foram construídos a nosso mando!). Promovem então estes caminhos antrópicos (que resulta da ação do homem) como sendo caminhos “naturais” talvez para não incomodar em demasia os verdadeiros amantes da natureza.
O desculpe o incómodo assenta bem nos “achados arqueológicos” que uma autarquia quis deixar à vista de todos, quando estes estão cheios de lixo, de coberto vegetal ou até com redes de proteção, e que, apesar de serem vistos diariamente, não há quem se incomode por limpar, sinalizar, dignificar e valorizar esses bens culturais. Enfim, desculpe o incómodo se a opinião é contrária à corrente.




