Tradicionalmente, o Natal vem associado ao nascimento de Cristo – O Salvador. Não é nossa intenção entrarmos nas dúvidas, que os historiadores continuam a ter, acerca das circunstâncias e datas concretas em que tal acontecimento ocorreu, nem isso nos parece ser um dogma de fé, mesmo para aqueles que se dizem respeitar os ensinamentos da Santa Madre Igreja. O certo é que, a 25 de dezembro de cada ano, é dia de Natal, nos calendários da maior parte dos países do mundo, com maior relevância nos países de raiz cristã, muçulmana, judaica e protestante – a maioria, portanto.
Diríamos, porém, que não é tanto a dimensão da fé, que torna esta data tão importante. O que faz dela uma data singular é a sua dimensão social.
Porquê? Porque é a Festa da Família, desde os mais pequenos aos mais idosos. O apelo do Natal toca a todos e a sociedade a todos responde, das mais variadas formas. Não está em causa apenas a família genética tradicional, mas também as relações de trabalho: nas empresas, nas associações, na política, na diversão, no desporto, em tudo o que seja viver em sociedade.
É uma ocasião em que se procuram abater as bandeiras do confronto, da disputa, do ódio. É um tempo que convida a “baixar a guarda” e mesmo a abater algumas das barreiras que os interesses, nem sempre legítimos, vão colocando entre as comunidades.
Não menos importante são também as ondas de solidariedade que levam à partilha, tendo em vista fazer diminuir as desigualdades, tão gritantes, por vezes obscenas, que se verificam no dia a dia, entre sociedades que parecem (e são-no de facto) privilegiadas, quando comparadas com outras, onde continua a imperar a ignorância e a escassez de condições para uma vida minimamente digna.
Por isso é que não é descabida a afirmação que muitas vezes nos apetece repetir: que pena que não seja sempre Natal.
Não apenas na sociedade e no mundo em geral, mas no coração de cada um de nós. Porque, só conseguimos um mundo melhor, se, em cada dia, os líderes mundiais, e cada um de nós, for capaz de assumir, que está na mão dos homens e de cada ser humano, contribuir para que possa ser sempre Natal.
A mensagem de que foi portador o personagem que a história confirma ter nascido entre o povo judaico, há pouco mais de dois mil anos, só faz sentido, se for assumida por cada um de nós, sejamos ou não crentes, permitindo que seja sempre Natal.
Com este sentimento, desejamos aos nossos leitores, um BOM NATAL e que o ANO NOVO seja portador das boas novas que todos ansiamos.
Nota final: Felicitamos Podence, uma pequena comunidade de Macedo de Cavaleiros, pelo galardão que os seus CHOCALHEIROS conquistaram, ao serem declarados pela UNESCO Património Imaterial da Humanidade. PARABÉNS!




