Sábado, 16 de Outubro de 2021
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Empresa do Douro investiu 3,5ME em adega que estreia nesta vindima

A Lavradores de Feitoria estreia nesta vindima uma adega, construída em Sabrosa, que representa um investimento de 3,5 milhões de euros, melhorou as condições de produção e representa "uma rampa” para a empresa do Douro crescer

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A nova adega, desenhada pelo arquiteto Belém Lima, era um “sonho antigo” da empresa criada em 2000 e que junta 53 acionistas, 16 dos quais são proprietários de 20 quintas, entre as quais a Quinta do Medronheiro, em Sabrosa, onde foi construída a “casa” da Lavradores de Feitoria.

“Esta adega oferece-nos as condições para crescer, para produzir com qualidade, para estagiar os vinhos com qualidade e isto é um enorme passo para uma empresa que se quer afirmar no mundo pela qualidade”, afirmou Olga Martins, da Lavradores de Feitoria.

Até agora estava sedeada em instalações alugadas na zona industrial de Sabrosa, onde havia muitos “constrangimentos de espaço”. O investimento de 3,5 milhões foi aplicado na aquisição da quinta, com 6,7 hectares de vinha em modo de produção biológica, na construção da adega e em novos equipamentos. A empresa recorreu a capitais próprios, a financiamento e contou com apoio comunitário a nível dos equipamentos.

“Temos esta grande vantagem que é uma adega evolutiva. Temos espaço para produzir mais com o equipamento que temos, podemos aumentar a vinificação, e, no limite, pode ser ampliada. A zona de receção das uvas pode avançar mais para a esquerda e ganhamos mais espaço de armazenamento”, salientou.

O edifício possui 3.775 metros quadrados, tem capacidade, atualmente, para vinificar 800 a 900 mil litros de vinho, possui duas linhas de receção de uvas, lagar e cubas de inox, zona de armazenamento dos vinhos e cave de barricas para o estágio, com condições térmicas e acústicas “exemplares”.

Foi ainda revestido de painéis exteriores de cor escura, idêntica às pedras de xisto das vinhas, para o “menor impacto possível” e uma melhor integração na paisagem. Olga Martins referiu que a empresa é “muito cuidadosa nos passos” que dá, que a concretização do projeto foi lenta e que a nova adega representa uma “rampa para crescer”.

Nesta vindima a empresa vai começar a fazer também vinhos do Porto, para juntar ao portefólio de vinhos do Douro tintos e brancos. Neste espaço trabalham atualmente 13 pessoas, estando prevista a criação de um posto de trabalho na área do enoturismo, que vai ser, também agora, uma nova aposta.

Para o efeito foi criada uma sala de provas, com janela aberta para as vinhas e para as barricas de madeira. Olga Martins perspetiva uma “boa vindima” em 2021, depois da quebra de produção verificada no ano passado.

O aumento de produção na Lavradores de Feitoria poderá atingir os 20 a 25% comparativamente com um ano de produção média e os cerca de 50% relativamente ao ano passado.

O corte das uvas brancas está, nesta altura, a chegar ao fim, iniciando-se depois as uvas tintas. “Estamos contentes com os brancos que temos, conseguimos vindimar os brancos na janela fora de chuva e estão brancos equilibrados, frutados e complexas e não excessivamente alcoólicos”, referiu.

A chuva dos últimos dias chegou a preocupar, temendo-se o surgimento de casos de podridão nas uvas, mas o regresso do sol é encarado como uma boa notícia para a vinha.

Apesar da pandemia de covid-19 que, no ano passado, também afetou este setor e chegou a parar os negócios numa fase inicial, a empresa “fechou o ano a par de 2019”. “Em termos de valor, de facto, não caímos, agora houve muita transição de consumo entre países”, explicou.

O volume de negócios, em 2020, rondou os dois milhões de euros e as exportações ultrapassaram os 50% das vendas, essencialmente para países como Canadá, Noruega, Brasil e Inglaterra e foi aberto um cliente na China e outro em Israel. “A exportação aumentou, mas foi um desafio imenso vender vinho por ‘zoom’”, apontou.

As atenções ainda estão muito centradas nos efeitos colaterais da crise pandémica e, por isso, a precaução é a palavra de ordem. “Cada vez que há uma crise eu fico muito apreensiva com o que vem a seguir”, frisou. No entanto, Olga Martins perspetiva um aumento de vendas “acima dos 5%” este ano.

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