A enfermeira adjunta da direção de enfermagem da Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD), Emília Sarmento, destacou a importância de reunir profissionais para discutir a realidade da população idosa fora dos grandes centros urbanos.
“É muito importante que os profissionais se juntem para falar da saúde real destas populações, da desertificação e do impacto que isso tem na saúde física e mental”, referiu, defendendo também uma maior valorização dos cuidadores e dos próprios profissionais de saúde.
A enfermeira considera que a integração dos cuidados primários e hospitalares numa única estrutura organizacional, neste caso a ULSTMAD, veio facilitar a articulação entre serviços. “Falar a mesma linguagem impacta diretamente na prestação de cuidados”, afirmou, admitindo, contudo, que continuam a existir dificuldades relacionadas com a distribuição de recursos nos territórios do interior.
Já o enfermeiro coordenador da UCC de Alijó, José Rua, sublinhou o papel das unidades de cuidados na comunidade enquanto estruturas de proximidade. “O nosso trabalho é essencialmente no terreno, na comunidade e nas casas das pessoas”, explicou.
Segundo o enfermeiro responsável, estas jornadas permitiram trazer especialistas com formação avançada em diferentes áreas para enriquecer o conhecimento dos profissionais e promover o debate sobre novas abordagens nos cuidados de saúde.
José Rua destacou ainda a especificidade do trabalho desenvolvido em territórios envelhecidos como o concelho de Alijó, onde a relação entre profissionais e população é particularmente próxima. “Quando entramos na casa das pessoas percebemos verdadeiramente como vivem e como as podemos ajudar”, afirmou, acrescentando que “é fácil definir planos num gabinete, mas só no terreno percebemos as condições da habitação, da família e das rotinas da pessoa”.
As jornadas procuraram também dar visibilidade ao trabalho desenvolvido pelas unidades de cuidados na comunidade, muitas vezes pouco conhecido pela população e até por outros profissionais de saúde, reforçando a importância dos cuidados de proximidade num território envelhecido e disperso como o Douro.
A iniciativa contou com três mesas de debate. A primeira foi dedicada à problemáticas do envelhecimento, onde se promoveram algumas estratégias práticas e multidisciplinares para melhorar a qualidade de vida das pessoas idosas. Seguiu-se o tema “Crescer Saudável: da Conceção à Adolescência”, onde os três oradores deram conta dos desafios do crescimento saudável, desde a conceção até à adolescência. As jornadas técnicas terminaram com a mesa “Espaço Crescer: Educação Inclusiva”, em que se abordaram os desafios da aprendizagem, da saúde mental e da inclusão.





