Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Estado gigantesco

Ao fim de uma longa semana de acesos debates no Parlamento, lá acabou por se saber que o Orçamento de Estado, para o ano 2020, tem pernas para andar. Como se isso tivesse sido uma grande novidade, conhecendo-se, à partida, o funcionamento das diversas forças políticas partidárias.

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Pessoalmente, receámos que devido ao gigantismo deste Governo, fosse necessário, não uma semana, mas várias, para que cada um dos membros do Governo pudesse expor verbalmente as suas propostas.

Repare-se que estamos em presença do mais gigantesco Governo de que há memória, com nada menos do que vinte ministros, dos quais quatro superministros e ainda cinquenta secretários de Estado, praticamente dois secretários e meio por cada ministro. É obra! Não ouvimos nenhuma intervenção parlamentar, designadamente da oposição a referir esta circunstância. Admite-se perfeitamente, que cada membro do Governo tenha de ter, dois ou três assessores, vários secretários, e as várias direções-gerais afetas a cada um dos membros do Governo, com outros tantos assessores e pessoal de secretaria correspondente.

Alguém dirá que tudo isto são trocos, num documento de tantos milhares de milhões de euros.

Mas, que representa com certeza um volume de despesas considerável, disso não há dúvidas. Isto para dizer que para além das despesas naturais dos serviços já tradicionais – saúde, justiça, educação, segurança pública, segurança social e por aí adiante, tem agora ainda mais este excesso, resultante do gigantismo deste Gabinete Político, cuja gestão mal se percebe que o Chefe do Governo consiga controlar devidamente.

António Barreto, um analista isento, escrevia recentemente (Público de 5 de janeiro): apesar das contas certas e do possível excedente público, a verdade é que a principal característica deste Orçamento é o aumento do Estado e do Governo, como há muitos anos acontece. E acrescenta: as negociações entre partidos têm apenas esse objetivo: gastar mais! Na educação, na saúde, na função pública, nos vencimentos, nas pensões e na justiça. Aumentar a despesa e o número de funcionários é a reivindicação!

Para quem como nós reivindica mais investimento público – nos transportes, designadamente nas ferrovias – caso da Linha do Douro de Leixões a Barca de Alva, no desenvolvimento na Agricultura, na Pecuária, na Floresta, percebe que ainda não será em 2020 que veremos serem dados passos, para que isso se possa fazer, uma vez que as verbas dos nossos impostos continuarão a ser sorvidas, pelo  gigantismo do Estado.

Uma última nota. Ao que foi anunciado, a cidade de Lisboa virá a ser este ano a Capital Verde da Europa, tendo-se enfatizado que isso levaria a que irão ser plantados vários milhares, se não milhões, de árvores naquela cidade.

Nada a objetar. Apenas lembrar, que com muito menos investimento, poderíamos começar a reflorestar os milhares de hectares de baldios que existem por todo este interior do país. Para ajudar a capturar o CO2 que as anunciadas medidas climáticas exigem para a próxima década. Aqui fica a sugestão ao Ministério do Ambiente, que tanto se empenha (e bem) nesta cruzada.

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