Existem vários tipos de estomas, de eliminação intestinal, de eliminação urinária, de respiração e de alimentação.
A confeção de estomas está normalmente associada a doenças de foro oncológico, embora existam outras causas, nomeadamente doenças inflamatórias, infeciosas, traumáticas (acidentes), entre outras.
As pessoas portadoras de qualquer um destes tipos de estomas (pessoas ostomizadas) carecem necessariamente de ser acompanhadas numa consulta de especialidade designada consulta de estomaterapia.
A consulta de estomaterapia surge pela necessidade de um apoio e acompanhamento especializado a estas pessoas. Nesta consulta, a enfermeira estomaterapeuta tem um importantíssimo papel no cuidado à pessoa ostomizada, antes e após a construção do estoma, bem como ao longo de toda a sua vida.
A especialidade de enfermagem em estomaterapia surge nos Estados Unidos da América (EUA), no final da década de 50. A conquista deste título foi precedida por variadíssimas formas de treino e consequentes cursos formais. Contudo, apenas em 1980 foi reconhecida pelo World Council of Enterostomal Therapists (WCET) como especialidade exclusiva do enfermeiro.
Existe uma grande dificuldade em sistematizar dados sobre os ostomizados, razão pela qual os dados epidemiológicos são insuficientes. Contudo, tem vindo a crescer a investigação nesta área e sabe-se que de acordo com a United Ostomy Associations of America (UOAA), em 2012 existiam mais de 800 mil ostomizados nos EUA.
Em Portugal, e de acordo com a Associação Portuguesa de Ostomizados, existem atualmente cerca de 20 mil pessoas ostomizadas, portadoras de todos os tipos de ostomias, sendo que a nossa realidade local corresponde a cerca de 300 ostomizados.
O meu papel enquanto enfermeira estomaterapeuta, vai muito além do cuidado local ao estoma e pele peri-estoma.
Nesta consulta pretende-se promover e motivar a pessoa para o autocuidado; proporcionar o melhor material (dispositivos) adequado a cada situação individual; fortalecer emocionalmente a pessoa e envolver a família ou cuidador neste processo, estimulando a continuação dos projetos de vida; tratar e prevenir as complicações, que causam um enorme impacto negativo na qualidade de vida; e, ser um mediador entre a equipa multidisciplinar cujo objetivo major é resolver as dificuldades inerentes a esta condição com a maior brevidade possível.
Como enfermeira estomaterapeuta considero esta consulta fundamental e indispensável na vida de qualquer ostomizado. Além dos conhecimentos e das competências que permitem um cuidado diferenciado à pessoa, a enfermeira estomaterapeuta é alguém em quem o ostomizado aprende a confiar, alguém que lhes transmite segurança, confiança e esperança num futuro melhor.




