Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Floresta e o clima

“Governo vai pagar a proprietários para mudar floresta portuguesa”

Esta notícia, que lemos no dia 9 de novembro, num dos jornais diários de maior expressão, chamou a nossa atenção para o tema da floresta, que tantas vezes temos usado para explicar como uma das maiores medidas que pode ajudar a salvar o Interior do país, do abandono quase completo a que tem sido votado, nos últimos quarenta anos.

De que se trata afinal? O Ministério do Ambiente e de Ação Climática – MAAC, pretende fazer um plano de paisagem de todas as zonas florestais do país, de forma a tornar a floresta portuguesa mais eficiente no sequestro do carbono, mas também com maior valor económico para os proprietários. Por isso, deseja fazer acordos financeiros, a 20 anos, com os donos das terras, que os compensem pela troca de um tipo de árvore por outro que seja considerado mais adequado para determinada área florestal. 

O MAAC tem já em curso a elaboração de um plano de paisagem para a área de Monchique e que depois de avaliado poderá servir como projeto piloto para outras áreas florestais.

Não podemos deixar de aplaudir esta ideia, porque é apenas de vontade política que se trata, deixando achegas para a viabilizar aqui na nossa região de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde praticamente não existe floresta.

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Aqui, talvez nem seja preciso gastar muito dinheiro para indemnizar os proprietários que tenham plantações de eucaliptos ou pinheiros, para os substituir por espécies de crescimento mais lento, como é o carvalho ou o sobreiro.

Aqui, neste nosso interior transmontano, temos mais de 75% de terreno baldio, outrora bem povoado de matas, sobretudo de pinheiro, que os fogos se encarregaram de ir destruindo. Como é que isto sucedeu? Porque uma política absurda de acabar com os Serviços Florestais, – guardas, técnicos médios e superiores, casas florestais e respetivos acessos, levou à retirada dessas áreas daqueles profissionais que dela cuidavam.

Isto para dizer que, numa primeira fase deste novo plano do MAAC para a nossa espécie, só há que refazer a estrutura daqueles Serviços, aproveitando as infraestruturas que ainda é possível visualizar, quando se olha ou anda por essas serras fora. E cuidar de plantar então as tais espécies de crescimento mais lento, como o carvalho ou o sobreiro, em vez do eucalipto. 

As matas privadas, que eventualmente ainda existam a bordejar os terrenos baldios, aproveitarão com certeza, este novo plano do ministro Matos Fernandes que, não temos dúvida, vai levar a bom porto esta ideia da regeneração da Floresta Portuguesa. Não se tratará, portanto, apenas de uma medida, tendo em vista aumentar o sequestro do carbono, para atingirmos as metas ambientais, que vêm sendo anunciadas para 2050. Também é fundamental para quem ainda aqui vive ou é proprietário, para que possa ver uma paisagem vegetal e usufruir de algum rendimento. Neste momento, o rendimento da floresta é nulo, porque simplesmente ela desapareceu.

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