Segunda-feira, 28 de Novembro de 2022
Adérito Silveira
Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Homenageado em S. Martinho de Anta. Obrigado Raul Coutinho

S. Martinho de Anta é uma vila onde o coração é a força motriz na vida das pessoas…

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De vez em quando o largo da vila transforma-se em palco de alegria, torrente de sons que as bandas filarmónicas oferecem.

Torna-se quase imperioso visitar S. Martinho de Anta em dias de festa, porque a alegria é contagiante e o povo mostra veia e sensibilidade pelas coisas da cultura.… Não há cochichos, não há barulhos exteriores enquanto as filarmónicas exibem o seu reportório.
E pela arte e pelas pessoas, eu, como penitente em via-sacra, lá estou em dias de festa, cumprimentando alguns amigos, mas sobretudo ouvindo religiosamente as várias manifestações culturais… Pela arte, a solidariedade funciona e o propósito congregador entre as pessoas é sincero e duradoiro…

Sim, sinto a felicidade na carne e na alma quando vou a S. Martinho de Anta e quando as pessoas me cumprimentam como se aquela terra também fosse minha, torrão do meu nascimento, nicho sagrado de uma felicidade bem tranquila.

E a música também terá inspirado a veia criadora de gente que vive nesta vila. Proclamo aqui o nome de Raul Coutinho como pessoa revestida de talentos vários. Homem com a subtileza dos sentidos despertos para tudo o que o rodeia. A escrita e a pintura são áreas que o fascinam e o elevam à paixão pela arte. Arte que lhe sai da alma, por vezes flagelada, insatisfeita pela forma como ele vê as coisas e o mundo. Sofre, tantas vezes, mas a obra eleva-se traduzindo a identidade humana de Raul Coutinho.

O grande Torga considerava o Douro como lugar de paisagem cultural, um excesso da Natureza, no vislumbre do seu olhar. Raul Coutinho, olha o Douro plasmando-se nas pessoas que nele trabalham. Desenha e pinta, transformando-se no fluir vivencial de cada momento. E desenhou-me carinhosamente em acrílico…”sim, sou eu” quando ele mo mostrou, fiquei emocionado pela gratidão de um homem que vive e ama S. Martinho de Anta. Resplandeci na alvura das melhores sensações. E o trabalho foi apresentado publicamente no palco da festa… Exibido na ilustração de palavras simpáticas que o povo ouviu e aplaudiu… Raul Coutinho e Paula Cristina Amarante, foram as vozes da gratidão para comigo. Na luz da minha identidade não esquecerei esta prova de amizade…

Natureza, história e tradição, testemunham um povo pontificado nos seus valores seculares, gente que sabe e quer preservar a importância da cultura, construída por homens de boa vontade. A cultura é universal. É pertença de todos. Aqui, valoriza-se a arte como expressão que abre o caminho para o bem-estar da humanidade. A música é a a estrada de aperfeiçoamento do Homem. A pintura é a sua irmã gémea.
Obrigado Raul Coutinho. Obrigado povo de S. Martinho.

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