É nos distritos do interior onde mais idosos vivem sozinhos, isolados ou em situação de vulnerabilidade. A conclusão é da Operação Censos Sénior que, em 2024, identificou, em todo o país, 42.873 idosos nestas condições, sendo que em 2023 foram identificados 44.114 idosos.
De acordo com os dados divulgados, foi no distrito da Guarda onde mais idosos foram referenciados (5.606), seguindo-se Vila Real (5.143) e Bragança (3.367). O Top5 fica completo com os distritos de Faro (3.496) e Viseu (3.325).
“Costumo deixar a chave na porta. Nunca apanhei nenhum susto, mas vou ter mais cuidado”
Laurinda Silva
A pensar na segurança destas pessoas, a GNR tem levado a cabo várias ações de sensibilização, para os chamar à atenção para o risco de serem vítimas de burlas. Foi precisamente uma dessas ações que acompanhámos em Mondim de Basto, mais concretamente na Associação de Solidariedade Social Aldeias de Mondim de Basto, na localidade de Vilarinho.
O público-alvo foram idosos do centro de convívio, que vêm para aqui durante o dia. O resto do tempo é passado em suas casas, sendo que alguns deles vivem sozinhos.
Ouvem, com atenção, as explicações dos dois militares da GNR sobre o tema e os conselhos que vão dando. No final, a lição parece ter ficado bem estudada. Laurinda Silva, por exemplo, diz que “todo o cuidado é pouco”.
“Se aparece alguém que não conheço, desconfio e não dou conversa. Há que ter cuidado”
Maria da Graça
“Vou começar a ter mais cuidado”, afirma, revelando que “tenho o hábito de deixar a chave na porta. Felizmente, nunca apanhei nenhum susto, mas depois do que ouvi hoje, vou ter mais cuidado”.
“Às vezes, pensamos que estamos seguros e não estamos”, vinca, salientando, mais uma vez que, “felizmente, nunca fui assaltada nem nada, apesar de, durante muitos anos ter tido um café”.
“Estas ações são importantes porque há muita gente à procura de se aproveitar da população idosa”
NUNO LAGE
PRESIDENTE ALDEIAS DE MONDIM
DE BASTO
Ali ao lado, Maria da Graça não podia dizer o mesmo. “Já fui assaltada duas vezes, uma em Lisboa e outra no Porto. Nas duas situações estava numa feira e com uma criança pequenina ao colo”, recorda, indicando que “foi para me tirarem a carteira. Foi um empurrão tão grande que fui a rasto”.
Sobre os conselhos que ouviu nesta tarde, confessa que “são importantes”, sobretudo para quem vive sozinho, “como é o meu caso”.
“Sempre vivi sozinha e tenho de ter cuidado”, refere, adiantando que “faço por deixar a chave na fechadura, por dentro, para ser mais difícil de abrir, caso alguém o tente fazer”.
De resto, “se aparecer alguém que não conheço, desconfio e não dou conversa”, afirma.
Desconfiado é, também, Joaquim Gonçalves, ou não tivesse ele sido, em tempos, militar da GNR, motivo pelo qual muitas coisas ali faladas não lhe serem estranhas. Ouviu tudo com atenção e defende que “palestras destas deviam acontecer de meio em meio ano. É bom para acalmar o coração das pessoas”.
“Palestras destas deviam acontecer de meio em meio ano. É bom para informar as pessoas”
Joaquim gonçalves
Quanto aos cuidados que tem destaca o facto de “a chave de casa andar sempre no bolso. Nunca fica na porta”. E conta, também, um episódio com funcionários da Iberdrola. “Eu não sabia quem eles eram e pedi-lhes a identificação. A minha mulher não gostou muito, mas fiz o que achei melhor, para ter a certeza de quem eram”.
PREVENÇÃO
No final desta ação, havia uma frase que saltava à vista – todo o cuidado é pouco. Nuno Lage, diretor da IPPS onde decorreu a ação da GNR, não esconde a importância de iniciativas como esta. “São extremamente importantes, porque informam as pessoas e fazem um trabalho de prevenção”, afirma, salientando que “os perigos, atualmente, são muitos e é importante fazer este tipo de ações”.
E as ações ganham maior relevância quando se fala em meios pequenos, “onde toda a gente se conhece e onde a porta de casa, provavelmente, fica aberta a maioria das vezes”, afirma Nuno Lage, acreditando que “há muita gente à procura de se aproveitar da população idosa”.
Ainda assim, e porque também dispõem do Serviço de Apoio Domiciliário, o responsável diz que “não temos conhecimento de burlas ou assaltos aqui na nossa zona”.
GNR NO TERRENO
Estas ações são frequentes por parte da GNR. Segundo o Capitão Ribeiro, comandante do Comando Territorial de Vila Real, “este tipo de atividades insere-se em duas campanhas, nomeadamente 65+ Idosos em Segurança e na Operação Censos Sénior, que fazemos anualmente”, realçando que “são destinadas a pessoas com mais de 65 anos, que vivem sozinhas ou isoladas e que são mais vulneráveis ao crime de burla, motivo pelo qual merecem uma atenção especial da nossa parte”.
Sobre as burlas, “em Vila Real não se têm verificado muitos casos”, dando conta de dados deste ano. “Entre 1 de janeiro e 31 de maio de 2025, no distrito de Vila Real, a GNR registou 20 casos de burla praticados contra idosos”, indica, explicando que “são burlas de vários tipos”, destacando as informáticas, onde “o MBWay é a mais frequente”.
A estas juntam-se “as burlas praticadas por falsos funcionários, ou seja, pessoas que se fazem passar por funcionários de entidades públicas, como finanças ou segurança social, levando o idoso a assinar documentos”, refere.
“São as típicas burlas de ir a casa dos idosos e oferecer algum tipo de serviço”, vinca.
“Entre 1 de janeiro e 31 de maio de 2025, no distrito de Vila Real, registámos 20 casos de burla contra idosos”
CAPITÃO RIBEIRO
COMANDANTE GNR VILA REAL
Nesse sentido, deixa alguns conselhos para esta população, a fim de evitar burlas. “Não abram a porta a pessoas que não conhecem, em caso de se identificarem como funcionários de uma determinada empresa (água, eletricidade, CTT, Segurança Social) peçam a identificação antes de qualquer interação, não assinem nenhum documento sem confirmar o que estão a assinar, não deem a entender que estão sozinhos na habitação”, indica o Capitão Ribeiro.








You must be logged in to post a comment.